quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Top 5: Paródia dos Bealtes



01. The Rutles - Get up and go
Difícil escolher apenas uma das diversas apresentações dos Rutles. Mas esta irônica releitura de Get Back é um ótimo exemplo do impagável trabalho do grupo. 




02. Celebrity Deathmatch
A animosidade entre os Beatles nos últimos momentos que culminaram na dissolução da banda combinam bem com essa animação que levou John, Paul, George e Ringo ao ringue de luta.


03. Beatallica
A fusão Beatles + Metallica gerou diversos híbridos interessantes. Como esta seleção é voltada para o estilo beatle, talvez I saw her trashing there seja bem apropriada.



04. The Punkles
O nome da banda já diz tudo: Beatles com pegada punk. Nessa vertente, Help funcionou bem, parecendo um antepassado dos Ramones.


05. Stevie Riks
É só uma dublagem de Something, mas a "interpretação" de Ringo Starr ficou genial.






domingo, 25 de dezembro de 2011

meus livros

[Jorge Luis Borges]


Meus livros (que não sabem que eu existo)
São tão parte de mim como este rosto
De fontes grises e de grises olhos
Que inutilmente busco nos cristais
E que com a mão côncava percorro.
Não sem alguma lógica amargura
Penso que as palavras essenciais
Que me expressam se encontram nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevi.
Melhor assim. As vozes dos mortos
Vão me dizer para sempre.


[A Rosa Profunda, 1975. In Poesia, tradução de Josely Vianna Baptista. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p191]

sábado, 24 de dezembro de 2011

José de Alencar e a tradição épica


 



João Adolfo Hansen, em Notas sobre o Gênero Épico, antológico prefácio para o volume de poemas épicos brasileiros da coleção Multiclássicos, editada pela USP, observa que “enquanto duraram as instituições do mundo antigo, a epopéia narrou a ação heróica de tipos ilustres, fundamentando-a em princípios absolutos, força guerreira, soberania jurídico-religiosa, virtude fecunda. Desde a segunda metade do século XVIII, a universalização do princípio da livre-concorrência burguesa que impôs a mais-valia objetiva a todos e contra todos foi mortal também para ela, pois o heroísmo é improvável e inverossímil quando o dinheiro é o equivalente universal de todos os valores. Desde então, apesar de algumas tentativas românticas de revivê-la nos séculos XIX e XX, é um gênero morto.” Entretanto, George Steiner, em sua obra Nenhuma Paixão Desperdiçada, alude a um esforço bastante recorrente na literatura inglesa de retomar Homero. O mesmo não deve ser absolutamente alheio às demais literaturas ocidentais: “Impressionam-nos, principalmente, a qualidade e diversidade da extensa linhagem de tradutores e autores que reagiram ao estímulo de Homero. É a complexidade das modulações, é a riqueza de visões que nos leva de Lydgate e Caxton a Ulysses e Omeros. Não foi apenas em Keats que o Homero de Chapman exerceu sua atração desconcertante. O que seria da Ilíada projetada por Dryden se ele tivesse persistido além do Livro I. Não sei que outro poema épico em inglês depois do Paradise Regained de Milton – e como Homero está presente em Milton! – equipara-se em prestígio e maestria de narrativa à Ilíada de Pope. Encontram-se instâncias de inequívocas ‘domesticidades’, como no caso de uma decoração interior em estilo flamengo na Odisséia de Cowper e do tratamento que ele deu ‘àquela espécie sublime que deve sua própria existência à simplicidade’. Os Cantos homéricos de Shelley revelam tanto seu virtuosismo poético quanto sua intimidade com os textos líricos gregos. (...)

Em terras brasileiras, as tentativas de reviver o gênero épico incluem a Prosopopéia (1601), de Bento Teixeira; O Uraguai (1769), de Basílio da Gama; Vila Rica (1773), de Cláudio Manuel da Costa; Caramuru (1781), de Santa Rita Durão; I-Juca Pirama (1851), de Gonçalves Dias; e A Confederação dos Tamoios (1856), de Gonçalves de Magalhães. Também merece atenção o trabalho empreendido por Odorico Mendes, que, em meados do século XIX, dedicou-se avidamente em divulgar e traduzir Virgílio e Homero para o português. Falecido em Londres, a 17 de agosto de 1864, deixou prontas para edição suas versões da Ilíada e da Odisséia, publicadas posteriormente. A relevância do trabalho de Mendes pode ser aferida através do seguinte fragmento de Machado de Assis, publicado originalmente no Diário do Rio de Janeiro, em 26 de setembro de 1864: “Odorico Mendes é uma das figuras mais imponentes de nossa literatura. Tinha o culto da antiguidade, de que era, aos olhos modernos, um intérprete perfeito. Naturalizara Virgílio na língua de Camões; tratava de fazer o mesmo ao divino Homero. De sua própria inspiração deixou formosos versos, conhecidos de todos os que prezam as letras pátrias. E não foi só como escritor e poeta que deixou um nome; antes de fazer a sua segunda Odisséia, escrita em grego por Homero, teve outra, que foi a das nossas lutas políticas, onde ele representou um papel e deixou um exemplo. Era filho do Maranhão, terra fecunda de tantas glórias pátrias, e tão desventurada a esta hora, que as vê fugir, uma a uma, para a terra da eternidade.

Alencar não permaneceu indiferente a esta busca de recuperação da épica. Afeito a polêmicas, o notório romancista cearense foi protagonista de uma acirrada pendenga a respeito de A Confederação do Tamoios, conforme nos lembra João Adalberto Campato Jr, em A Confederação de Magalhães: Epopéia e Necessidade Cultural (constante no volume Multiclássicos, já citado): “Como se sabe, a publicação de A Confederação dos Tamoios deu azo, ainda no ano de 1856, a uma das polêmicas mais significativas e acirradas da literatura nacional, em que se enfrentaram, resguardados sob pseudônimos, pelas páginas dos jornais da Corte, o romancista cearense José Martiniano de Alencar – que, além de listar erros de várias espécies no poema, negava-lhe brasilidade – e os defensores de Gonçalves de Magalhães, entre os quais destacamos o Imperador Pedro II, o frei Francisco de Monte Alverne e o escritor Manuel de Araújo Porto Alegre. Desde aquela época até os tempos que correm, os críticos, em sua maciça maioria, não fazem senão repetir as censuras de Alencar ao poema e seu autor (...)

Era de se esperar que em breve José de Alencar se dispusesse a transpor para suas próprias páginas os elementos que tanto defendeu em sua famosa polêmica. Justamente no ano seguinte, publicaria O Guarani, obra que, de maneira praticamente imediata, o elevou ao posto de autor consagrado. Mas um dilema se apresenta diante do escritor: como, inevitavelmente mergulhado na tradição impregnada na cultura letrada e no próprio idioma, criar a literatura de um novo povo (como pretendia Alencar) recalcando antigos arquétipos euro-ocidentais apenas com o bronze da cor local?



[Publicado no jornal Diário do Povo, coluna Toda Palavra, Teresina, 20 de dezembro de 2011]

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Uns Poemas

[por Neto Villa-Rica]


Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
A vida presente.”

Sábias as palavras de Carlos Drummond de Andrade, foi assim que comecei a me apaixonar por poemas. Nas aulas de literatura do professor Adriano Lobão, via a personificação da poesia, ele declamava com sentimentos, com conhecimento de causa [...] grande conhecedor de arte. Virei fã, mas minha falta de conteúdo não me permitiria ir mais além. E mesmo assim, até onde fui... Aprendi muito.

Participei uma vez até de uma feira de profissões, o grupo dele falava sobre fotografia, não poderia perder esse oportunidade de aprender além dos livros. Depois descobri uma de suas obras, não sei se já foi publicada, e me encantei com o título: ”Uns Poemas”. Simples e verdadeiro.

Descobri uma melodia legal no violão e vi que era a chance perfeita de fazer uma letra poética, foi um grande desafio [...] viajei, me vi perdido em poemas e mais poemas. Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa me guiaram e compus 75% da música, só que acreditava inocentemente que ela já estava pronta, e passei a tocá-la sempre que podia. Enganei-me.

Faltava, um verso, uma estrofe [...] não saía nada! Pedi ajuda, e logo ela veio. A parte que faltava, nasceu. Adaptei a melodia e pronto, estava feito a música. Virou unanimidade, todos gostam dessa bela canção, até eu (Morgana entende quando falo até eu). O interessante é que logo depois, minha banda veio a tocá-la ao vivo em varias ocasiões, e a receptividade do público era legal. Faltou a gente tocar ela no show do hospital Areolino de Abreu [...] Sim, tocamos lá e fui super legal! ”A galera pirou.”

Hoje essa banda não existe mais, tempos bons. Tempos de aprendizado, de descobertas e de amor ao próximo, mesmo ele não estando tão próximo assim. No dia do meu aniversário fizeram um plano pra me distrair enquanto organizavam minha festinha surpresa. Bateram no meu ponto franco, levaram-me para o mirante da Ponte estaiada e lá percebi que talvez eu nunca grave ou ao menos registre uma das minhas melhores músicas. Mas vou lutar até o fim.

Não poderia chegar aqui, e deixar tudo às entrelinhas. O título da música, “Uns Poemas”, é uma referência e homenagem a quem abriu minha mente para literatura e a arte de um modo geral, Um salve a Adriano Lobão! A parte que faltava simplesmente não nasceu! Foi escrita, e como muita destreza, por Bruna Leite. Obrigado pela enorme colaboração, inspiração. Sou um sortudo.
E Carlos disse:

Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.”

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

nesta terra teu canto te assiste entre sina e silêncio


[adriano lobão aragão]


nesta terra teu canto te assiste entre sina e silêncio
em lira de fio breve que tenso verso em ti resiste
desdobrando-se o dia persiste em dízimo lento

nesta terra teu canto te roendo em partes e inteiro
como o abrigo que encontrou num peito saudoso e intenso
estando Ruth posta em tormento em meio ao trigo alheio

nesta terra teu canto desfeito desfaz tua dor
nos pés inchando todo ardor pelo caminho estreito
oráculo devorando sem receio teu genitor

neste canto prepara entre silêncio e sina
estigma do enigma que cego te redime



[in Entrega a própria lança na rude batalha em que morra, 2005]

domingo, 11 de dezembro de 2011

O que é o amor?


"O amor também é uma resposta: por ser tempo e ser feito de tempo, o amor é, simultaneamente, consciência da morte e tentativa para fazer do instante uma eternidade. Todos os amores são desditosos porque todos são feitos de tempo, todos são o nó frágil de duas criaturas temporais e que sabem que vão morrer; em todos os amores, mesmo os mais trágicos, há um instante de felicidade a que não é exagerado chamar sobre-humana: é uma vitória contra o tempo, um vislumbrar o outro lado, esse além que é um aqui, onde nada muda e tudo o que é realmente é."
 
Octavio Paz
[In A chama Dupla, amor e erotismo. Lisboa: Assírio & Alvim, 1995. página 153.]

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

“Minha vivência acaba se transformando na poesia que construo”


foto: Danilo Medeiros



Durante o mês de outubro, entrevistei o poeta e músico Thiago E, que assim costuma apresentar-se: “músico em reabilitação labiríntica – professor com problemas de visão – ator driblador autodidata da própria gagueira – maravilhíssimo o pôr-do-sol na av. joão xxiii – integrante da banda validuaté, com a qual lançou 2 discos: pelos pátios partidos em festa |2007| e alegria girar |2009| – maiores informações no site www.myspace.com/validuate – com o grupo academia onírica, gravou o cd veículo q.s.p. |2010| – não se sabe se a pressa é um acúmulo de menos ou uma soma que abrevia a vida – as árvores da av. santos dummont são lindas – autor do livro cabeça de sol em cima do trem, ainda inédito – seu comportamento não presta para o capitalismo – poeta e vai ver viver é vrum! incompreendigo:” A seguir, apresento-lhes uma prévia dessa conversa.

Adriano Lobão Aragão - Em que aspectos poesia e vivência se encontram?

Thiago E - Minha vivência acaba se transformando na poesia que construo, naturalmente. Como eu acredito que seja com quase todo poeta. Digo quase todo porque cada um tem seu modo de produção. Mas esse limite entre poesia e vivência não pode ser definido. Não dá pra ser definido. É excessivamente brumoso. Uma vez li uma frase do poeta-filósofo Wittgenstein que nunca esquecerei: os limites do meu mundo são os limites da minha linguagem. E ele ainda diz que quando se tem algo em mente, se tem a si mesmo em mente. Então você pode tomar a linguagem poética como sua vida e explodir essa fronteira que separaria as duas. Você investiga, por exemplo, uma orelha e começa a escrever: é uma casa na cabeça – encerada e sem madeira não tem porta para entrar: recebe a ressonância e esse som reside lá, clareia o ir do cego – seu sentido mais aberto, e mostra-lhe a cara do barulho ali por perto [...]. Nesse momento você escreve uma nova realidade, sua nova realidade, e, consequentemente, vive esse novo também. O poeta Roberto Piva diz que não acredita em poeta experimental que não tenha vida experimental. Eu acho essa afirmação perigosa. Depende do que se entenda por vida e por experimental. O que é experimental? Poderia ser usar uma droga para tentar escrever diferenciadamente? Aprender uma nova língua? Se masturbar com a mão esquerda? Educar uma criança? Poderia ser traduzir textos tidos como intraduzíveis? Experimental varia de acordo com seu referencial e tudo pode ser diferente. Enfim, dou essa volta filosófica pra lembrar que, de vez em quando, é bom prestarmos atenção em alguns conceitos e preconceitos por aqui. Recentemente comecei a escrever sobre alguns problemas que tenho: problema de visão, transtorno de equilíbrio, gagueira, etc. Se eu não passasse por essas dificuldades e revelações e aprendizados, talvez esses temas não fossem abordados por mim. E agora isso começou a virar substância de poemas também.

Adriano - E como é a tua relação com a forma?

Thiago - Sempre procuro investigar os vários modos de se fazer um poema. Seja no suposto verso livre ou no verso metrificado ou poema visual ou escrita automática ou outro jeito. Não vejo o metro com preconceito, ou como um vilão, ou algo ultrapassado, ou uma velharia inadmissível. Não penso assim. É claro que eu entendo que, em alguns momentos da história, alguns movimentos literários precisaram ser radicais e execraram o verso metrificado – ou super-defenderam como único caminho possível. Como ainda não precisei ser unilateral, pra mim é apenas mais um veículo da comunicação. Me interessa percorrer as singularidades dessas vertentes todas. Não há dúvida que uma grande vantagem que o verso formal, metrificado, tem é a facilidade pra ser decorado pelo leitor-ouvinte. Você entra naquele compasso do poema e lembra mais fácil. Frequentemente, a publicidade usa isso com precisão de atirador de elite! E aí a gente novamente presta atenção na grande importância do ritmo do texto. Um poema com um ritmo legal, musical, mesmo que não obedeça ao metro, estabelece um contato mais agradável com o leitor. Ninguém gosta de ler um poema duro, que não flui. A primeira coisa que presto atenção num poema é a música: as ressonâncias das letras, das palavras, a dicção, as assonâncias, as aliterações, a sintaxe de tudo. Quando fiz o curso de Letras da UFPI, conheci a maravilhosa professora Maria do Socorro Fernandes de Carvalho – a Só. Eu já lia muita coisa sobre Concretismo, poesia visual, poesia marginal, outras contemporaneidades. A Só já havia estudado isso, mas passou a estudar poesia seiscentista e todas as suas divertidas complexidades históricas e retóricas. Em 2007, resolvi fazer um trabalho nesse campo poético menos visitado e aprender algumas antiguidades(?) da poesia que não eram comuns pra mim. E estudei velhas boas novas. Nesse período, li e reli a Arte Poética, e da Pintura, e Symmetria, com Princípios da Perspectiva do português Philippe Nunes, de 1615, e o Luzes da Poesia, do Manoel da Fonseca Borralho, de 1724. Esses dois foram trazidos de Portugal em fac-símile pela Só. Também conheci trechos do Said Ali, M. Cavalcante Proença, o Tratado de Versificação do Olavo Bilac e Guimaraens Passos e, o mais recente, o grande livro Teoria do Verso, de 1974, do professor Rogério Chociay. Pra quem quer se inteirar de ritmo poético formal, o Teoria do Verso é fantástico! E agora eu tô lendo O Sexo do Verso, do Glauco Matoso – também excepcional! Que inclusive pode ser baixado inteiro da internet. Essas várias experiências tidas criam um bom repertório na minha cabeça e, num determinado poema, resolvo usar uma ferramenta ou outra. Depende do que quero dizer – de como a mensagem vem. Acho legal aprender essas estruturas rítmicas – já são células musicais para o baldrame de uma poesia. Resta adaptar um ao outro. Percebo que muitos poetas falam mal do metro na poesia, mas gostam de música pop – como se a música pop não tivesse uma fôrma, um fórmula também. Basta perceber que o som pop tem uma introdução, geralmente 2 estrofes, um trechinho que prepara pro refrão envolvente, um solo ou rife e tudo repete novamente. E é ruim? Não. É só se preocupar com uma boa construção naqueles limites. Na poesia é parecido.


[Publicado no jornal Diário do Povo, coluna Toda Palavra, 06 de dezembro de 2011]

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Especialização em Estudos Clássicos 2012







MATRÍCULA: A PARTIR DE 31 DE JANEIRO DE 2012
PREVISÃO DE INÍCIO DO CURSO: 1 DE ABRIL DE 2012
Em breve, estarão disponíveis maiores informações e instruções para matrícula.

COORDENAÇÃO:
Gabriele Cornelli (Universidade de Brasília)

DISCIPLINAS E DOCENTES:

Introdução aos Estudos Clássicos - Delfim Leão (Universidade de Coimbra)
História Grega - José Otávio Nogueira (Universidade de Brasília)
História Romana - Renata S. Garraffoni (UFPR)
Origens Orientais da Cultura Clássica - Edrisi Fernandes (Universidade de Brasília)
Teatro AntigoMarcus Mota (Universidade de Brasília)
Judaísmo, Cristianismo e Helenismo - André Chevitarese (UFRJ)
Literatura Grega - Sandra Rocha (Universidade de Brasília)
Literatura Latina - José Luís L. Brandão (Universidade de Coimbra)
História da Filosofia Antiga - Gabriele Cornelli (Universidade de Brasília)
Arte Antiga - Vera Pugliese (Universidade de Brasília)
Recepção da Ant. na literatura contemporânea - Gilmário G. da Costa (Universidade de Brasília)
Metodologia da Pesquisa em EC- Gerson Brea (Universidade de Brasília)
Literatura grega e Cinema - Maria Cecília de M. Coelho (UFMG)
Arqueologia e estudos clássicos - Pedro Paulo Funari (UNICAMP)
Introdução à EAD - Nara Pimentel (Universidade de Brasília)


INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

O curso funcionará em regime à distância, sendo contudo necessária a realização de 3 (três) avaliações presenciais ao longo do período Curso.
As avaliações serão realizadas nas dependências da Universidade de Brasília durante 3 (três) finais de semana. Hospedagem para os alunos - a preços econômicos e próxima da UnB - será indicada oportunamente. As datas das avaliações serão comunicadas com pelos menos 4 (quatro) meses de antecedência.

 

domingo, 4 de dezembro de 2011

Emily Dickinson




OUR SHARE OF NIGHT TO BEAR -

Our share of night to bear –
Our share of morning –
Our blank in bliss to fill
Our blank in scorning –

Here a star, and there a star,
Some lose their way!
Here a mist, and there a mist,
Afterwards – Day!

* * *

Nossa quota da noite suportar –
Nossa quota da aurora –
Nosso vazio em glória preencher
Nosso vazio desprezado -

Aqui uma estrela, e ali uma estrela,
Alguma perdeu seu guia!
Aqui uma névoa, e ali uma névoa,
Em seguida – Dia!


traduzido por Adriano Lobão Aragão

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Na língua em que Algo ou Alguém me escreve


Nota-se nos prólogos e epílogos de Borges a seus livros de poemas reiteradas desculpas. Seja por “excessos barrocos” e “asperezas” ou pelos poemas terem algo de “ostentoso e público”, seja por referir-se a eles como os “exercícios deste volume” ou por atestar a “monotonia essencial desta miscelânea”. De qualquer forma, o escritor não deixa de confessá-los frutos de “manejo consabido de algumas destrezas”, uma ou outra “ligeira variação” e “fartas repetições”.

Mais do que uma captatio benevolentiae ou uma afetação de humildade para produzir a simpatia do leitor, talvez Borges estivesse certo. Se isolarmos o poeta do ficcionista e do ensaísta, muita coisa se perde. Se é possível dizer assim, sua grandeza está mais nestes dois gêneros do que naquele. Borges é o tipo de autor que precisa ser compreendido em sua totalidade para ser admirado em suas partes. É autor de uma obra, não de peças literárias avulsas. Nesse sentido, pertence àquela família de grandes escritores de diversas obras, não de bons escritores de uma única obra. Dificilmente um autor se mantém equânime em três gêneros diferentes. O Cervantes poeta difere drasticamente do autor do Quixote e de Trabalhos de Pérsiles e Segismunda. E aqui penso, sobretudo, em outro cultor das claras aventuras da lucidez, admirado pelo escritor argentino: Paul Valéry. Notadamente autor do Cemitério marinho, poucos não o reconhecem melhor como ensaísta.
 
[leia o texto completo no blog mais desenredos]

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

dEsEnrEdoS 12 - Chamada para publicação


A dEsEnrEdoS (ISSN 2175-3903, Qualis B) é uma revista eletrônica de periodicidade trimestral que tem o propósito de estimular a criação artística e promover o debate de temas vinculados à literatura, língua, arte e cultura. Estamos recebendo textos - artigo, ensaio, resenha, poesia, conto, crônica e tradução - para avaliação até o dia 20 de dezembro de 2011.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Campina Grande, anoitecer


[adriano lobão aragão]



no açude
angustiado palhaço
busca suicídio sem metáforas

um esquecido Pedro
nomeia um ginásio
ou apenas evoca o nome de meu pai

aos pares
alguns guardam pequenos
lotes de esperança
para não enfrentar
a noite sozinhos

certos pombos
buscando abrigo noturno
repetem os vôos curvos
que a Borborema ensina


[in Yone de Safo]