domingo, 31 de maio de 2009

Emerson Araújo




Alegorias e Maçãs I
[Emerson Araújo]


Ponho uma pitada de sol na ponta da língua
E vou enfiando nos sulcos da lua
Uma sinfonia de pássaro doido
Língua em lua sem odores
Lua, lua, lua, lua em golfadas
De todos os amores.




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Emerson Araújo, professor, bacharel em Direito, especialista em educação profissional, escritor. Nasceu em Tuntum, Maranhão, mas é no Piauí que se sente feliz há mais de quarenta anos. Já escreveu: Vendedor de Picolé, Topada, Companheiros de Estrada, As Pedras da Aurora, 16 Movimentos Acima da Escuridão.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Impressões sobre “Saudade”, de Da Costa e Silva




Impressões sobre “Saudade”, de Da Costa e Silva
[por Alfredo Werney]


Saudade! Olhar de minha mãe rezando
E o pranto lento deslizando em fio...
Saudade! Amor da minha terra... O rio
cantigas de águas claras soluçando.

Noites de junho... O caburé com frio,
ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando...
E, ao vento, as folhas lívidas cantando
a saudade imortal de um sol de estio.

Saudade! Asa de Dor do Pensamento
Gemidos vãos de canaviais ao vento...
As mortalhas de névoa sobre a serra.

Saudade! O Parnaíba - velho monge
as barbas brancas alongando... E ao longe,
o mugido dos bois da minha terra...

(Da Costa e Silva*)


A obra de Da Costa e Silva, desde o seu preâmbulo, “Sangue” (1908), se mostra como um rigoroso exercício melopoético. Isso porque, em grande parte de sua poesia, os aspectos fanopaicos e cognitivos parecem estar sobrepujados pelos aspectos musicais. Em outros termos: a literatura dacostiana – inegavelmente influenciada por vertentes simbolistas – procura se pautar em uma estética na qual os sons são a base material do fazer artístico. As palavras, desse modo, ligam-se umas às outras, mais pela questão da afinidade fônica do que mesmo pelo sentido que procuram expressar. As construções frasais do texto são pensadas predominantemente com intuito de se atingir a precisão horizontal da música tonal: um arco melódico narrativo no qual se observa a alternância entre momentos de tensão/repouso.


“Saudade” é um poema que agrupa um conjunto de recursos fonoestilísticos e musicais de uma maneira virtuosística. Aliás, “virtuosismo melopoético” é uma expressão que, a meu ver, se adéqua muito bem ao universo da poesia dacostiana. Sendo que, algumas vezes, o poeta chega mesmo a exagerar (como nos poemas da fauna, em “Zodíaco”) e transformar um recurso literário em um mero truque lingüístico. O poema “Saudade” expressa - através de uma série de imagens dispostas de maneira quase que cinematográfica e de um ritmo lento, arrastado - uma intensa melancolia, este sentimento tão peculiar à nossa cultura de tradição lusitana. Para tanto, o poeta se utiliza de várias pausas, reticências, suspensões, orações gerundias, assonâncias – métodos que torna os versos largos (no sentido musical do termo), como as frases musicais de duração longa. E de fato, como nos mostra os estudos musicológicos da canção, as frases musicais de durações longas geralmente estão associadas à melancolia, tristeza e solidão. Um distanciamento entre sujeito e objeto.


O que realmente me impressiona nesse poema é o equilíbrio entre imagem/ som/ sentido que Da costa e Silva conseguiu atingir. Não raro, observamos que o sentimento de melancolia e saudade é tratado de maneira piegas pela nossa poesia e, mais ainda, pela nossa música popular. Da Costa e Silva conseguiu expressar a saudade pela sua terra natal de maneira extremamente rica e balanceada: as imagens soltas (o olhar de minha mãe rezando, o caburé com frio, as folhas lívidas ao vento, as mortalhas de névoa sobre a serra) se mesclam com o ritmo expressivo e com a sonoridade medida e pesada de cada palavra. A própria musicalidade do poema e a sugestão de suas imagens já nos impregnam de melancolia e de sentimento de perda e distanciamento das coisas. Numa leitura em voz alta desse poema é possível ouvirmos os sons do vento (gemidos vãos de canaviais ao vento), sentirmos o fluxo ininterrupto de um rio (cantigas de águas claras soluçando), sentirmos a dureza de um sentimento pela própria “dureza sonora” do verso (Saudade! asa de dor do pensamento). Todas estas colocações parecem confirmar o conceito de Valéry, para quem a poesia é “a hesitação entre som e sentido”. Em “Saudade”, podemos perceber a dança constante e precisa das palavras, que oscilam entre a expressividade dos sons e expressividade dos sentimentos.



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*Antonio Francisco da Costa e Silva nasceu em Amarante, no Piauí. Estreou em 1908 com o livro de poemas Sangue. É considerado um dos mais importantes poetas do Piauí. Sua obra literária atingiu notoriedade nacional e é considerado, pelo crítico Oswaldino Marques, o primeiro poeta brasileiro impressionista.


Alfredo Werney é arte-educador, músico e pesquisador. Professor de violão da Escola de Música de Teresina. Instrutor e integrante da Orquestra de Violões de Teresina. Formando em Educação artística pela UFPI. É autor do livro "Reencantamento do mundo: notas sobre cinema".

quinta-feira, 28 de maio de 2009

as tardes as manhãs

[adriano lobão aragão]



as tardes quentes e iguais a todas as outras as manhãs
desprovidas de ânsias vãs seguem lentamente aos currais
como se guardassem mais que o passado dos dias de amanhã

e perene a si tece a tarde disposta sobre nós
como noite de homem só como tempo que não se mede
agudo vento que segue sem rumo sem prumo sem voz

iguais a todas as outras se tramam em nós as marcas
em caminho aberto a faca como vento leva suas folhas
iguais a todas as horas na erma eternidade do nada

e perene a si tece a tarde disposta sobre nós
as tardes quentes e iguais a todas as outras as manhãs





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quarta-feira, 27 de maio de 2009

as cinzas as palavras

[adriano lobão aragão]



pintada em verbo angústia nenhuma palavra incendeia
decantada a mesma iluminada metáfora escura
seguindo em eterna fuga do discurso que se perca

expressão que inexata deseja toda exatidão
envolta entre sim e não se refaz a dúbia certeza
exatidão toda inexata que deseja expressão

qual verbo abandonado por remota prosa incontida
qual chama irrestrita escrevendo seu ardor devastado
cinza palavra ao vento calado palavra descrita

como que semeando a si espalhando do vento ao gosto
as cinzas em torno de todas as obras a destruir


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Junho 2008

domingo, 24 de maio de 2009

as narrativas




"Descobri que as narrativas são tentativas de reinventar a narrativa única a que todo mundo está sujeito, que alguns chamam de destino e que termina sempre no mesmo lugar. Desde então, passei a associar as histórias que os homens contam a uma vontade coletiva de refazer esse final, de lhe dar outros sentidos. Uma espécie de rebelião, de inconformismo, uma vontade de reescrever o seu papel e o texto do mundo."

Assim se expressou Bernardo Carvalho [Ilha deserta: filmes, São Paulo, Publifolha, 2003], comentando O Gabinete do Dr Caligari [Das Kabinett des Doktor Caligari, Robert Weine, 1919]. Curiosamente, tal comentário poderia ser aplicado de maneira exata no roteiro de Desejo e Reparação [Atonement, Joe Wrigth, 2007].

sábado, 23 de maio de 2009

entrevista

José Filho entrevista Adriano Lobão Aragão para o programa Cultura em Foco, TV Assembléia, novembro 2007.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

libertação




libertação
[adriano lobão aragão]

é com
libertinagem
que esses
milagres acontecem
:
Manuel poesia o poema



[in Uns Poemas, FCMC, 1999]

domingo, 17 de maio de 2009

Cesário Verde

O Livro de Cesário Verde



O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL


IV - HORAS MORTAS



O teto fundo de oxigênio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-se a quimera azul de transmigrar.

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!

Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.

Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nômadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir, estrangulados.

E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.

Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, os imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!





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Poesias Completas de Cesário Verde
Ediouro, Rio de Janeiro, 1987

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Cesário Verde

Lisboa no século XIX




O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL


III - AO GÁS

E saio. A noite pesa, esmaga. Nos
Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.
Ó moles hospitais! Sai das embocaduras
Um sopro que arrepia os ombros quase nus.

Cercam-me as lojas, tépidas. Eu penso
Ver círios laterais, ver filas de capelas,
Com santos e fiéis, andores, ramos, velas,
Em uma catedral de um comprimento imenso.

As burguesinhas do Catolicismo
Resvalam pelo chão minado pelos canos;
E lembram-me, ao chorar doente dos pianos,
As freiras que os jejuns matavam de histerismo.

Num cuteleiro, de avental, ao torno,
Um forjador maneja um malho, rubramente;
E de uma padaria exala-se, inda quente,
Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.

E eu que medito um livro que exacerbe,
Quisera que o real e a análise mo dessem;
Casas de confecções e modas resplandecem;
Pelas vitrines olha um ratoneiro imberbe.

Longas descidas! Não poder pintar
Com versos magistrais, salubres e sinceros,
A esguia difusão dos vossos reverberos,
E a vossa palidez romântica e lunar!

Que grande cobra, a lúbrica pessoa,
Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo!
Sua excelência atrai, magnética, entre luxo,
Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa.

E aquela velha, de bandós! Por vezes,
A sua traîne imita um leque antigo, aberto,
Nas barras verticais, as duas tintas. Perto,
Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses.

Desdobram-se tecidos estrangeiros;
Plantas ornamentais secam nos mostradores;
Flocos de pós-de-arroz pairam sufocadores,
E em nuvens de cetins requebram-se os caixeiros.

Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes
Os candelabros,como estrelas, pouco a pouco;
Da solidão regouga um cauteleiro rouco;
Tomam-se mausoléus as armações fulgentes.

“Dó da miséria!... Compaixão de mim!...”
E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
Pede-me sempre esmola um homenzinho idoso,
Meu velho professor nas aulas de Latim?




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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Cesário Verde

José Joaquim Cesário Verde (1855 – 1886)



O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL


II - NOITE FECHADA

Toca-se às grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
O aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças,
Bem raramente encerra uma mulher de “dom”!

E eu desconfio, até, de um aneurisma
Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes;
À vista das prisões, da velha Sé, das Cruzes,
Chora-me o coração que se enche e que se abisma.

A espaços, iluminam-se os andares,
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a Lua lembra o circo e os jogos malabares.

Duas igrejas, num saudoso largo,
Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero:
Nelas esfumo um ermo inquisidor severo,
Assim que pela História eu me aventuro e alargo.

Na parte que abateu no terremoto,
Muram-me as construções retas, iguais, crescidas,
Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,
E os sinos dum tanger monástico e devoto.

Mas, num recinto público e vulgar,
Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras,
Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras,
Um épico doutrora ascende, num pilar!

E eu sonho o Cólera, imagino a Febre,
Nesta acumulação de corpos enfezados;
Sombrios e espectrais recolhem os soldados;
Inflama-se um palácio em face de um casebre.

Partem patrulhas de cavalaria
Dos arcos dos quartéis que foram já conventos:
Idade Média! A pé, outras, a passos lentos,
Derramam-se por toda a capital, que esfria.

Triste cidade! Eu temo que me avives
Uma paixão defunta! Ao lampiões distantes,
Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes,
Curvadas a sorrir às montras dos ourives.

E mais: as costureiras, as floristas
Descem dos magasins, causam-me sobressaltos;
Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos
E muitas delas são comparsas ou coristas.

E eu, de luneta de uma lente só,
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados:
Entro na brasserie; às mesas de emigrados,
Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.




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terça-feira, 12 de maio de 2009

Cesário Verde

José Joaquim Cesário Verde (1855 – 1886)



“Como ninguém, conseguiu dar expressão poética à realidade objetiva e cotidiana. Na sua obra ganham beleza e sentido as ruas de Lisboa, as vitrinas das lojas, as manhãs de trabalho e as noites alumiadas a candeeiros a gás. Tudo isto é dado de forma impressionantemente exata, sem véus de retórica, com aparente impassibilidade, numa linguagem que consegue ser corrente e comum. O poeta detesta as abstrações e sente-se feliz quando encontra ‘materiais’, formas que os seus olhos, o seu olfato ou as suas mãos apalpam, que tangem os seus sentidos.”
António José Saraiva, Iniciação à Literatura Portuguesa.




O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL
A Guerra Junqueiro


I - AVE-MARIA


Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madri, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crônicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se por arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!



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sexta-feira, 8 de maio de 2009

dEsEnrEdoS



Caros amigos,


estamos iniciando uma revista eletrônica chamada dEsEnrEdoS. Trata-se, dentre outras coisas, de uma revista de cultura e literatura. Fiquem à vontade para comentar, criticar, sugerir, participar...

Abraços, e o endereço é: www.desenredos.com.br


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terça-feira, 5 de maio de 2009

Sobre as enchentes que sucedem ao ardor dos meses de estio

[renato zagrel]


Ante a chuva que se espera
sob o ardor do meio-dia,
que uma sombra se revela
qual sonho desfeito em terra,
qual terra desfeita em sina.
Em chuva que o inverno traz
um destino se refaz
entre janeiro e dezembro,
só se tem água de menos
ou se tem água demais.


abril 2008

domingo, 3 de maio de 2009

Kafka - a descoberta absurda


_________________desenhos de Franz Kafka



Kafka - a descoberta absurda

por Herasmo Braga

Confesso que Kafka constituia para mim um desses autores que volta e meia sempre ouvimos falar e que aprendemos a respeitar. Até então, minha visão sobre ele se resumia à leitura de Metamorfose na adolescência e ao filme O processo. Mas tudo mudou. Com a leitura de Carlos Nelson Coutinho (Lukács, Proust e Kafka - Literatura e sociedade no século XX) e, principalmente, o de Ricardo Piglia (O último leitor), em que cada um tratou sobre esse autor do absurdo, é que me veio o estímulo à leitura de suas obras. Envolvi-me abertamente nessa atmosfera kafkaniana e me perdi. Como um autor consegue ser tão genial? A sua leitura é um perder-se para depois ficar mais perdido ainda. Estou entregue ao seu mundo e recomendo a todos a sua descoberta.