quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Da Costa e Silva & Chico César & Paulinho Moska

Da Costa e Silva

Saudade
[Da Costa e Silva]

Saudade - olhar de minha mãe rezando
e o pranto lento deslizando em fio
saudade amor da minha terra... o rio
cantigas de águas claras soluçando.

Noites de junho. O caboré com frio,
ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando...
e à noite as folhas lívidas cantando
a saudade infeliz de um sol de estio.

Saudade - asa de dor do pensamento
gemidos vãos de canaviais ao vento...
Ai, mortalhas de neve sobre a serra.

Saudade - o Parnaíba - velho monge
as barbas brancas alongando... e ao longe
o mugido dos bois da minha terra...

[In Sangue, 1908]



Paulinho Moska e Chico César matando a saudade
Saudade
[Chico César / Paulinho Moska]


Saudade a lua brilha na lagoa
Saudade a luz que sobra da pessoa
Saudade igual farol engana o mar
Imita o sol
Saudade sal e dor que o vento traz

Saudade o som do tempo que ressoa
Saudade o céu cinzento a garôa
Saudade desigual
Nunca termina no final
Saudade eterno filme em cartaz

A casa da saudade é o vazio
O acaso da saudade fogo frio
Quem foge da saudade
Preso por um fio
Se afoga em outras águas
Mas do mesmo rio.


[In CD Pouco, 2010]

2 comentários:

Lucas Felipe disse...

Lenine já cantou que a nave vem de fora. Em resposta a isso, Chico César compôs para Zé Ramalho "A Nave Interior":

Não é de fora que a nave vem
É de dentro do peito que a nave sai
É de dentro da gente que a nau inaudita
Habita, repousa, amor e hidrogênio

Silêncio, saudade, soluço, selênio
A nau permanece mesmo quando vai
Secreta se curva, dá a gota, se agita
Se eleva no ar, resplandece e cai

A nave que é mãe
que é filho e é pai
É tudo e é nada
o povo e ninguém

Não é de fora que a nave vem
É de dentro do peito que a nave sai
Não é de fora que a nave vem
É de dentro do peito que a nave sai

Respirar, navegar é coisíssima igual
O ar que ri é o fogo da nau
No vale profundo que geme em nós
Reside o casulo do cavalo alado

Na rainha-mãe ou no pobre coitado
Ali se espelha a centelha do gás
Se é moça ou rapaz, ancião ou criança
A chama não cansa de dançar a dança

A nave que é mãe (A nave que é mãe)
que é filho e é pai (que é filho e é pai)
É tudo e é nada (É tudo e é nada)
o povo e ninguém

Não é de fora que a nave vem
É de dentro do peito que a nave sai
Não é de fora que a nave vem
É de dentro do peito que a nave sai

Não é de fora que a nave vem
É de dentro do peito que a nave sai
Não é de fora que a nave vem
É de dentro do peito que a nave sai

Lucas Felipe disse...

Olá, professor. Passo aqui no seu blog para deixar lembranças. Dia 21 de agosto, 21 anos que Raul pegou seu disco voador e lá de cima olha a geração de luz que está por vir. Comemoremos não a morte, mas a imortalização desse gênio. Raul Seixas, Elvis Presley e Luiz Gonzaga deixaram esse plano no mesmo mês (agosto), sendo que Raul e Luiz se foram no mesmo ano. Esse mês é sagrado, né? Saudações Raulseixistas!


"Por que cargas d'água você acha que tem o direito de afogar tudo aquilo que eu sinto em meu peito? Você só vai ter o respeito que quer, na realidade, quando você souber respeitar a minha vontade, meu pai! Vou-me embora, vou partir sem brigar, já escolhi o meu sapato, que não vai mais me apertar!"