sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Kannet Levyt

Rita Dahl


Uma das maiores gentilezas que se pode conferir a um escritor é a leitura atenta de seus escritos. Sou absolutamente grato a cada uma das pessoas que dedicaram alguns minutos de suas vidas à leitura de algum poema meu. É por isso que não tenho palavras para agradecer a gentileza da poeta finlandesa Rita Dahl, que, além da leitura de as cinzas as palavras, se dispôs a traduzir para seu idioma pátrio alguns de meus poemas. Logo abaixo, a versão finlandesa do poema “as capas os discos”. 

KANNET LEVYT

eilen näin kauppakujalla myynnissä lehmän levyn
jonne katosin monia outoja peltoja sitten
vinyylin juovien moottoripyörän ja sinfonian väliin

eilen näin vanhuksen taulussa kantamassa polttopuita
koristaen seinää albumin tuhottu kansi
lyijyn ilmalaivan valaistu pimeys

eilen näin valkoisen albumin, jonka voi käsittää vuosien kuluttua
hälvenneiden väriensä sävyinä
ja pintaan painettuna kovakuoriaisen salaisena nimenä

mutta hiljaisuudessa sen äänet herättävät
sonorisen kuvan joka tulee esiin verkkokalvon muistista

(adriano lobão aragão: as cinzas as palavras, desenredos 2014, käännöksen [tradução]
 rita dahl)

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AS CAPAS OS DISCOS

ontem eu vi o disco da vaca à venda na galeria
onde há muito naqueles campos estranhos me perdi
entre os riscos do vinil motocicleta e sinfonia

ontem eu vi um velho em um quadro carregando lenha
adornando em parede destroçada a capa de um álbum
e a iluminada escuridão de um dirigível de chumbo

ontem eu vi o álbum branco que depois de muitos anos
pude perceber as matizes dispersas de suas cores
e seu discreto nome de besouro impresso em relevo

mas há muito dispostos em silêncio seus sons evocam
sonora imagem retida na retina da memória

Um comentário:

Alfredo Werney disse...

Gosto muito do verso AGUDO VENTO QUE SEGUE SEM RUMO SEM PRUMO SEM VOZ, presente no belíssimo poema "As tardes as manhãs". Ele dá a impressão, ao lermos o poema em voz alta, que o ritmo fônico se intensifica e fica mais ligeiro. Esse efeito nos dá a exata sensação vertiginosa do vento que passa sem rumo....

É um verso de quem sabe realmente fazer poesia.