segunda-feira, 17 de setembro de 2012

[prefácio]

[adriano lobão aragão]



uma ânfora vazia
desde remotos séculos repete
“Kleimachos me fez e eu sou dele”

Kleimachos não mais existe
só a posse de sua ânfora se perpetua
mais forte que sua matéria

uma estatueta arcaica repete
“a cada um que me pergunta
respondo a mesma coisa
Andron filho de Antífonas
dedicou-me como dízimo”

nesse dízimo se prepara a palavra
no princípio era o verbo
e o verbo se fez arma

pergunta como salvar uma alma pela palavra







[in Entrega a própria lança na rude batalha em que morra]

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