sexta-feira, 13 de abril de 2012

quem, sentado contigo, face a face

[adriano lobão aragão]


quem, sentado contigo, face a face
ouve de perto a tua doce fala
tendo os olhos nos astros, ó Safo
e os pensamentos nas águas

sentado à beira contigo, ó Lídia
bem sabes
destes séculos todos
para que fosses nosso, ó mar
assestamos a quilha contra as vagas

são infelizes pois seu trabalho é penoso
e também sabes:
homens habitam a água longe da terra
em pleno oceano
            como todos sabemos
conjugar esses verbos:
rezam de mãos erguidas para os deuses
enquanto suas entranhas são horrivelmente sacudidas

há cousa, Aristéas, como ver um Paiaiá
repastam-se a tripa fora e copulam nela
na disputa da satisfação desses apetites
entrematando-se
sentado contigo, face a face

outro caminho leva à província
– montando Sírio – cavalga o pai ensinando o filho





[in: Entrega a própria lança na rude batalha em que morra]

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