quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Shakespeare & Ivo Barroso & Wagner Moura

Sonnet 71
[William Shakespeare]


No longer mourn for me when I am dead
Then you shall hear the surly sullen bell
Give warning to the world that I am fled
From this vile world, with vilest worms to dwell:
Nay, if you read this line, remember not
The hand that writ it; for I love you so
That I in your sweet thoughts would be forgot
If thinking on me then should make you woe.
O, if, I say, you look upon this verse
When I perhaps compounded am with clay,
Do not so much as my poor name rehearse.
But let your love even with my life decay,
Lest the wise world should look into your moan
And mock you with me after I am gone.



[tradução de Ivo Barroso]

Não lamentes por mim quando eu morrer
Senão enquanto o surdo sino diz
Ao mundo vil que o deixo e vou viver
Em meio aos vermes que inda são mais vis.
Nem te recorde o verso comovido
A mão que o escreveu, pois te amo tanto
Que antes achar em tua mente olvido
Que ser lembrado e te causar o pranto.
Ah! peço-te que ao leres esta queixa
Quando for minha carne consumida,
Não te refiras ao meu nome e deixa
Que morra o teu amor com minha vida.
Não veja o mundo e zombe desta dor
Por minha causa, quando morto eu for.



[tradução de Wagner Moura]
 
Não chore mais por mim; empacotei
Vai ouvir que o sino escroto grita
Dando aviso a todos que eu vazei
Desse mundo vil que o verme habita
Nem ao ler este verso vá lembrar
Da mão que o escreveu, te amo tanto
Quem nem em teus doces sonhos quero estar,
Pensar em mim só te trará o pranto
E se (eu digo) você vir essa fala
Quando eu, quem sabe já lama for
Não vá gritar meu nome, cala
Que com minha vida tombe o teu amor
E que o mundo não vigie o choro teu
Te sacaneará. E eu já morri. Fudeu.



[in Sonetos de Shakespeare: faça você mesmo, Jorge Furtado e Liziane Kugland (org), Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. p.87-89]

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