sábado, 13 de agosto de 2011

cummings por rui werneck

em algum lugar que nunca fui, alegremente para além
de qualquer experiência, seus olhos têm silêncio próprio:
em seu mais débil gesto existem coisas que me enclausuram,
ou que eu não posso tocar porque estão muito perto

seu mais rápido olhar facilmente me captura
e no entanto eu me fechei como dedos,
você me abriu pétala por pétala como a primavera
abre (tocando habilmente, misteriosamente) sua primeira rosa

ou se você deseja me fechar,
eu e minha vida nos fecharemos belamente,
de repente, como quando o coração das flores imagina
a neve caindo devagarinho sobre tudo;

nada se percebe nesse mundo igual
ao poder da sua intensa fragilidade: cuja textura
me compele para as cores dos seus campos
traduzindo por hoje e sempre com sua respiração

(eu não sei o que é sobre você nos fechamentos
e aberturas; apenas alguma coisa em mim entende
que a voz dos seus olhos é tão profunda como todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas

Nenhum comentário: