sexta-feira, 15 de julho de 2011

poema de Thiago E



o que há dentro do muro não é assim tão bruto
um pensamento sofre na argamassa que lhe cobre
angústia o muro sente desde antigamente:
é cego todo sempre e só sabe apartar gente
há pouco ouviu do chão com voz de escuridão
que existem as paredes – rijas tal qual ele
a diferença é que elas têm uma janela
e assim, pela janela, a parede enxerga
janela é uma abertura – não dói não sutura
buraco sem reboco movendo-se no corpo
se a obra tem janela, parede é o nome dela
cimento e cal sem furo julgam ser um muro
o muro, truvo e mudo, pensa e pensa em tudo
sair daquele escuro e ver a luz do mundo
deixar de ser um muro abrindo em si um furo
ainda que esse corte lhe tombe à nula sorte
não sabe como, ainda, mudar a sua química
rejeita a vil certeza de não ter vista acesa
deseja em seu chapisco, sim! correr o risco
de ter a pele aberta e sentir o que é a janela
e mesmo sem saber como vai ser outro ser
o muro quer saída mudar mover a vida
quer nem que seja a ida da simples dobradiça
ou algo do por vir que lhe tire desse aqui






[in AO revista, nº 1, jun11, p.26]



2 comentários:

Aldenora Cavalcante disse...

gosto muito dos poemas do Thiago, sobretudo esse. Ele escreve muito bem! *-*

Adriano Lobão Aragão disse...

realmente, o thiago é um grande talento.