domingo, 20 de março de 2011

de anábase, minha fria dama

[adriano lobão aragão]




de anábase, minha fria dama, trago estas lendas escassas
onde o frio enrijece os nervos sem esfriar os desejos

de anábase, minha fria dama, trago estas lendas escassas
o meu corpo caído em batalha nos campos gelados
insepulto abandonado e minha alma repousando ao teu lado

de anábase, minha fria dama, trago estas lendas escassas
o horror do sangue derramado em lança
a vitória inútil que nem aos mortos alcança
e a derrota gloriosamente estampada em soldado em criança

de anábase, minha fria dama, trago estas lendas escassas
quando afio a lança antes da próxima última batalha
quando ouço em conflito o eco de tua doce fala
quando toco a tua mão que minha mão desarma
quando em meu peito esqueço a arma que o inimigo encrava

de anábase, minha fria dama, trago estas lendas escassas
o guerreiro que morre ao lado do próprio escudo despedaçado
a capa aberta inerte a lança inútil caída o elmo desnecessário
o rio vivo que segue em neve em sangue em breve um outro rio alcançado
de águas sangrentas eu trago estas lendas de remoto passado
onde uma fria dama teria de seu eleito o retorno inesperado

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