sábado, 5 de fevereiro de 2011

desenho em nanquim disperso desenho

[adriano lobão aragão]


desenho em nanquim disperso desenho
livre linha escrita de sombra e luz
teu rosto às vezes em riso sereno
suave saudade tristeza produz
teu pranto às vezes ameno distante
seus laços estende em torno da mão
e suave acolhe uma lágrima errante
de tinta e encanto teus traços serão
quem sabe rascunho ou leve rabisco
um traço presente onde ausente estás
quem sabe o risco guardado destino
pressente um olhar e um riso se faz
quem sabe a vida nos traços que imito
deseje o instante deixado pra trás



[in as cinzas as palavras, 2009]

Um comentário:

Wanderson Lima disse...

Ritmo encantatório, que produz, como queria Valéry, uma constante hesitação entre o som e o sentido. Há versos tão redondos que dá vontade de roubar: o 2, o 7, o 8. Lindo poema mesmo, nem me lembrava direito dele.