sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

o que há de sensível

[Adriano Lobão Aragão]



o que há de sensível em meu íntimo não se comunica
ou se desdobra em gesto de exata comunhão
como parte deste rito dividido entre fome e compaixão


ou quando sozinho diante da própria fronte principia
outro desconhecido rosto sobreposto e bem mais inteiro
no espelho partido ao peso do corpo em apoio na pia do banheiro


e não sei se serei eu em cada caco laminado
                                                [ou no sangue em minha mão
ou na face que exponho oposta ao riso que guardo na solidão
que encontro nestas poucas paredes em que me perco


pelo óbvio labirinto pulsa na palma o caminho
que meu íntimo não comunica ao que há de sensível

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