segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Contra um mundo melhor: ensaios do afeto



Wagner Moraes
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Luiz Felipe Pondé: "O que nos humaniza é o fracasso"
“Contra um mundo melhor: ensaios do afeto”, novo livro do filósofo provocador Luiz Felipe Pondé, será lançado com um debate aberto ao público na próxima sexta-feira (3), na CPFL Cultura, em Campinas. Também vão participar da discussão o historiador Leandro Karnal e outro filósofo, Oswaldo Giacoia Jr.

Lançado pela editora LeYa Brasil, o livro de Pondé traz ensaios sobre a filosofia do cotidiano, com temas variados, como: relação entre homens e mulheres, memórias da infância, fracasso, dinheiro, egoísmo e humildade. Fiel ao seu estilo contundente, o autor recusa lugares-comuns e uma postura conformista, procurando provocar o leitor para tirá-lo da apatia.

Filósofo e professor universitário, Pondé utiliza uma linguagem coloquial, entre o discurso acadêmico e o jornalístico, que tira as discussões filosóficas do ambiente restrito das salas de aula. Colunista do jornal Folha de S. Paulo desde 2008, busca ampliar o diálogo que mantém com os leitores em sua coluna.

Para muitos, Pondé revitalizou o colunismo através de seu estilo polêmico e provocativo. Não por acaso, no ensaio inicial de “Contra um mundo melhor” o autor cita algumas vezes outro colunista controvertido, Nelson Rodrigues, a quem oferece o livro. “Hoje faltam homens como ele: homens que não têm medo. Assim como ele, não acredito num mundo melhor e direi isso de várias formas diferentes até morrer”, diz Pondé.

Os ensaios possuem tamanhos variados, alguns mais curtos que outros, mas todos breves, de modo a facilitar a leitura e adaptá-la a um cotidiano apressado. O autor explica a opção pelos fragmentos afirmando que “a descontinuidade descreve melhor uma filosofia do afeto, que se move a sobressaltos, e também porque o cotidiano é descontínuo”. Reafirma seu ceticismo com frequência, o que o faz recusar a busca insistente por um mundo melhor, que para Pondé, é uma impossibilidade e também um falso objetivo.

Nos ensaios, ele denuncia o que chama de “marketing do comportamento”: discursos e posturas hipócritas com toques de sofisticação, que buscam mascarar a angústia e o sofrimento do mundo, o que, para o filósofo, constitui a essência do humano. “O que nos humaniza é o fracasso”, diz.

Pondé ainda explica por que decidiu escrever para não filósofos e por que não acredita em um mundo melhor: “Cansei da filosofia, por isso comecei a escrever para não filósofos, porque a universidade, antes um lugar de gente inteligente, se transformou num projeto contra o pensamento. Todos são preocupados em construir um mundo melhor e suas carreiras profissionais. E como quase todas são pessoas feias, fracas e pobres, sem ideias e sem espírito inquieto, nada nelas brota de grandioso, corajoso ou humilde. Eu não acredito num mundo melhor. E não faço filosofia para melhorar o mundo. Não confio em quem quer melhorar o mundo. É isso mesmo: acho um mundo de virtuosos (principalmente esses virtuosos modernos que acreditam em si mesmos) um inferno”.


Fonte: CPFL Cultura

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