quarta-feira, 14 de julho de 2010

dEsEnrEdoS 6

editorial


Mais uma garrafa lançada no mar da internet, dEsEnrEdoS,  em seu sexto número, sente-se privilegiada, pois já se sabe – a história pregressa de cinco outros números avaliza que no manuscrito encontrado nesta garrafa, se não há profecia, se não há mapa indicando ouro fácil, há a sondagem séria, a opinião abalizada, o estudo diligente da literatura e das formas culturais que lhe são irmãs.
O generoso leitor que acompanha nossa trajetória deve ter notado a dupla visada da Revista, que mantém espaços de criação e de debate acadêmico; espaços de expressão mais livre e espaços onde a objetividade da pesquisa pede um comedimento (jamais uma anulação) da expansão subjetiva. Esta atividade revela a desaprovação, de todos os que compomos a dEsEnrEdoS, perante aquele modelo de periódico acadêmico-universitário que se fecha, com seu tecnicismo e seu horror ao não canonizado, ao diálogo amplo e ao debate das questões mais pontuais e cotidianas.
Fora este ponto axial, as metas para 2010 continuam irretocáveis: além da manutenção da qualidade e da abertura ideológica (não se leia aqui neutralidade ou incoerência), buscamos um alargamento geográfico das colaborações, sempre favoráveis ao diálogo com a lusofonia e com o espaço latino-americano, pois dEsEnrEdoS não quer ser apenas uma revista brasileira, caso se dê a este adjetivo pátrio um sentido de limitação das questões debatidas.
O ponto de maior interesse deste número reside em nosso segundo dossiê, desta vez abordando a obra do filósofo brasileiro Vicente Ferreira da Silva, que acaba de sair de um longo ostracismo editorial graças à arrojada iniciativa da É Realizações. Além de contar com um texto raro e basilar de VFS, nosso dossiê recolhe textos clássicos e novos sobre o filósofo, todos de grande agudeza analítica.  dEsEnrEdoS sente-se orgulhosa de participar deste importante momento da cultura brasileira que é o “retorno” – providencial, diga-se de passagem – de VFS ao debate filosófico-cultural e agradece à É Realizações e ao organizador da nova edição de suas Obras Completas, Rodrigo Petronio. Sem a diligência e a generosidade deles seria impensável este dossiê.
Por fim, dEsEnrEdoS dedica este número à memória de José Saramago. Em nosso segundo número, tivemos a honra de abrigar aqui um texto de Saramago, no qual ele dizia de Jorge Amado: “Poucas vezes um escritor terá conseguido tornar-se, tanto como ele, o espelho e o retrato de um povo inteiro. Uma parte importante do mundo leitor estrangeiro começou a conhecer o Brasil quando começou a ler Jorge Amado”. Tire-se o nome do baiano e ponha-se o do português que o esplendor de verdade do enunciado brilhará com mais intensidade.
Os Editores 


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[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 6 - teresina - piauí - julho/agosto/setembro de 2010]

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