quarta-feira, 12 de maio de 2010

A formação estética do homem

Herasmo Braga
Adriano Lobão Aragão


[Publicado no jornal Diário do Povo, Teresina, 11 de maio de 2010, coluna Toda Palavra]




Schiller, na obra A educação estética do homem, afirma que a “arte é filha da liberdade”. Sendo assim, a arte deve ter um lugar privilegiado junto ao homem e a sua formação. Há inúmeros debates sobre alta cultura e cultura de massa, literatura de qualidade e os best sellers, no entanto, pouco se discute sobre a validade da presença das questões estéticas e suas variações nos aspectos formativos para o homem. Diante disso, corroboramos com o pensamento de que todo intelectual tem uma função social, portanto, deve contribuir para a formação crítica dos sujeitos. Acrescentamos, porém, que não somente para criticidade, mas também, para seu crescimento a partir do apreço estético.

São associadas de maneira equivocada concepções supostamente validadas por parâmetros de gosto ou quando não de mercado. Todavia, esquecem da possibilidade material e objetiva de desenvolver um pensamento formulativo justamente (ou paradoxalmente) sobre a estética. Vários pensadores, como Kant, levantaram essa questão estética de maneira racionalizada e formativa para estabelecer uma linha avaliativa. Proust, a este respeito, formulou o seguinte comentário: “Somente pela arte, podemos sair de nós mesmos, saber o que enxerga outra pessoa desse universo que não é igual ao nosso, e cujas paisagens permaneceriam tão ignoradas de nós como as por acaso existentes na lua”, e é nesse sair do habitual, do que nos cega diante das obrigações diárias, que nos tornamos sujeitos mais perceptíveis e aptos para melhor viver em um mundo repleto de inseguranças. Nesse ensejo, a literatura cumpre o relevante papel de nos apresentar a um mundo diferente do nosso aparente. Proust complementa que “a vida verdadeira, a vida afinal descoberta e tornada clara, por conseguinte a única vida plenamente vivida, é a literatura”. Portanto, a literatura deve ser vista, não como algo sacrossanto, mas uma porta de abertura para novas percepções.

Dentro do universo literário, temos os mais diferentes mundos, os mais diversos sentidos, as mais diversas intenções, mas sobre ela deve sobressair a sinceridade e a simplicidade de quem escreve e de quem a lê. Reconhecemos que há outras associações em volta do campo literário, mas o que deve sobressair são as trocas profundas de vivências e expêriencias refletidas em suas letras. Samuel Johnson é outro que compartilha desse pensamento ao afirmar que “o único fim da literatura é tornar os leitores capazes de melhor gozar a vida, ou melhor suportá-la”, pois no desenvolver dos seus encantos, desencantos e re-encantos é que a vida se realiza.

Um comentário:

Wanderson Lima disse...

Bela estreia!
Todo o meu apoio a vocês!