sexta-feira, 16 de abril de 2010

Os Borges

Jorge Luis Borges



Bem pouco sei de meus antecessores
portugueses, os Borges: vaga gente
que prossegue em minha carne, obscuramente,
seus hábitos, rigores e temores.
Tênues como se nunca houvessem sido
e alheios aos trâmites da arte,
indecifravelmente fazem parte
do tempo, dessa terra e do olvido.
Melhor assim. Vencida a peleia,
são Portugal, são a famosa gente
que forçou as muralhas do Oriente
e fez-se ao mar e ao outro mar de areia.
São o rei que no místico deserto
perdeu-se e o que jura não estar morto.


[Tradução de Josely Vianna Baptista,
in BORGES, Jorge Luis, O Fazedor. São Paulo: Companhia das Letras, 2008]

2 comentários:

Mara Vanessa disse...

Eu ainda estou descobrindo Borges.

Adriano Lobão Aragão disse...

Borges é um labirinto. Sempre estamos aquém da descoberta. Mas o caminho vale a pena, e muito.