terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

não saber teu nome liberta

[adriano lobão aragão]


não saber teu nome liberta
a tarefa de nomear-te
não mais um substantivo, mesmo próprio
mas a ordem absoluta do caos

então chamo-te poesia
quando recolhes o mais tênue lirismo
na dimensão infinita de um sorriso

e quando passas breve e leve
entre silêncios justapostos
teu nome é brisa
e rompendo o silêncio te chamo lira

nomeio teu ser presságio
onde outros chamariam acaso

e não por acaso, em tua aparição repentina
juntar queria a teu nome todas as sensações
na mais profunda sinestesia

e se acaso perguntasse
que reposta me daria?
que adianta um nome
se nada mais estaria
nesse nome sua dona
que nunca mais veria?

então juntaria teu nome
a todos os nomes da vida
e em cada coisa querida
ali teu nome estaria

quando desejar não é ter
mas querer mais além ainda
mesmo apenas guardar um nome
entre as lacunas da vida



[in Yone de Safo]

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