sábado, 12 de dezembro de 2009

Matsuo Bashô & Guimarães Rosa


Bashô
(Japão, 1644-1694)

O velho tanque
Uma rã mergulha,
Barulho de água.

[tradução de Paulo Franchetti e Elza Doi]


- *** -



Guimarães Rosa
(Brasil, 1908-1967)

Verde

Na lâmina azinhavrada
desta água estagnada,
entre painéis de musgo
e cortinas de avenca,
bolhas espumejam
como opalas ocas
num veio de turmalina:
é uma rã bailarina,
que ao se ver feia, toda ruguenta,
pulou, raivosa, quebrando o espelho,
e foi direta ao fundo,
reenfeitar, com mimo,
suas roupas de limo...

[in Magma, 1936]

2 comentários:

Mara Vanessa disse...

Devo ter um quê de frustração mesmo, porque até hoje não consigo visualizar - poeticamente falando - esses Haikais (haikus, whatever). Não consigo sentir nada...

Adriano Lobão Aragão disse...

Particularmente, demorei para gostar de haiku. Somente após um mínimo de entendimento do que realmente vem a ser isso é que passei a apreciar e perceber o quanto um bom haiku é coisa rara [bem diferente da enxurrada de poemas de três versos que se vê alhures].

Sugiro a entrevista com Paulo Franchetti publicada aqui na Ágora da Taba em 2008:
http://adrianolobao.blogspot.com/2008/12/amlgama-6-haicai-haicais-uma-entrevista.html