domingo, 4 de outubro de 2009

“Um bom poema é um meio de expansão e experimentação da linguagem”


7.ª pergunta para WANDERSON LIMA


Colégio São Francisco de Sales – DIOCESANO
Prof Adriano Lobão Aragão

Alunos – 7ª série B/2009
Ana Flávia
Beatriz Moura
Letícia Mariz
Letícia Meneses



Wanderson Lima nasceu em Valença do Piauí em outubro de 1975. Poeta e professor. Publicou "Escola de Ícaro – O Exercício Necessário da Queda", "Morfologia da Noite", "Balé de Pedras" (poemas) e "Reencantamento do Mundo - notas sobre cinema" (ensaios, com Alfredo Werney). Atualmente, edita a revista eletrônica dEsEnrEdoS.



Quando você percebeu que poderia ser escritor?
Fiz meu primeiro verso com 9 anos e, desde que me entendo por gente, quis me tornar ou goleiro de futebol ou escritor. Entrei na educação, inicialmente, para não me afastar da leitura e escrita. Hoje, me sinto realizado como professor. Mas, sem dúvida, minha vocação profunda é escrever.

Você acha que os jovens de hoje devem ler mais livros? Você recomendaria algum dos seus? Qual?
Vivemos na sociedade da imagem e dos hiper-estímulos de sons, cores e movimentos intrínsecos à imagem. Particularmente, sou favorável à imagem: fotografia, cinema, video-game, internet, etc. Para mim, são formas sintéticas e complexas de transmissão de informação e conhecimento. Não considero um filme inferior a um romance, nem uma foto inferior a um poema. Mas vejo com preocupação a conduta de pessoas que estão deixando de lado a leitura em prol da imagem; estas pessoas estão se prejudicando, se limtando, se tolhendo de experiências fundamentais, que só a leitura pode oferecer. Antes de qualquer livro meu, eu recomendaria a leitura dos clássicos, pois eles pensaram o mundo com mais complexidade e aprimoraram o poder de expressão da linguagem.

Em que ou em quem é a inspiração do seu trabalho?
São muitas. Nos últimos tempos, as maiores fontes de minha inspiração têm sido, além das leituras de outros autores, o cinema e as memórias que tenho de minha avó, Raimunda Lima.

Você exprime alguns de seus sentimentos em seus trabalhos? Por quê?
Quando faço poesia, evito o derramamento sentimental. Um bom poema, no meu ponto de vista, é um meio de expansão e experimentação da linguagem e não uma forma de confissão. O poeta deve sair do palco e deixar a linguagem brilhar.

Por que você faz poemas de difícil interpretação para certas pessoas?

Não sei. E, na verdade, o fato de um poema ser difícil não é mérito nem demérito. Entender um poema às vezes exige não examente grande capacidade intelectual, mas uma espécie de disponibilidade, de concentração e de consciência que o dizer dos poetas costuma ser oblíquo, indireto.

Para quem não tem o hábito de leitura qual livro de sua autoria você recomendaria? Por quê?
Eu procuraria conhecer melhor a pessoa e sugeriria algo próximo dos interesses dela. Poderia ser um livro meu, mas também poderia ser de qualquer outro autor.

Além de escritor, você também é professor. Qual dessas duas atividades você prefere?
As duas coisas se interpenetram. Se dou boas aulas, é porque li e escrevi muito; se li e escrevi muito, tenho chances de dar boas aulas. Uma coisa implica a outra. Porém, como disse no início, minha vocação profunda é ler e escrever.

Um comentário:

Mara Vanessa disse...

Ótima entrevista!

Wanderson Lima conseguiu reunir boas respostas em palavras ágeis e leves.

;)