quarta-feira, 7 de outubro de 2009

“Sem leitor, não há literatura”


7.ª pergunta para CINEAS SANTOS


Colégio São Francisco de Sales – DIOCESANO
Prof Adriano Lobão Aragão

Alunos – 7ª série A/2009
Ana Karoline
Breno Celso
Joice Alexandrino
Marina Lima
Snayla Natyele



Cineas Chagas Santos nasceu em Campo Formoso, sertão do Caracol, PI. Aos 17 anos chegava a Teresina, em 1965. Formou-se em Direito, mas dedicou-se à Literatura. À frente da Oficina da Palavra e da Fundação Quixote, Cineas é também um dos idealizadores e organizadores do Salão do Livro do Piauí, SALIPI, e responsável pela publicação de vários autores piauienses, como Da Costa e Silva e Mário Faustino. Atualmente, preside a Fundação Cultural Monsenhor Chaves. Escreveu os livros Tinha que Acontecer (contos), Miudezas em Geral (poemas), As Despesas do Envelhecer (crônicas), O Menino que Descobriu as Palavras (infantil, com ilustrações de Gabriel Archanjo), Nada Além (poemas).


Quando começou a gostar de escrever?
Menino ainda, no sertão do Caracol, certa noite, ouvi uma tia cantar um folheto de cordel, "A história do Pavaão Misterioso" e experimentei, pela primeira vez, a emoção estética, algo que eu nem sabia o que era. Naquele momento, decidi que, quando crecesse, queria fazer aquilo. Ainda não cumpri a pomessa, mas não desisti.

Qual a maior dificuldade em lançar livros no Piauí?
Todas as dificuldades imagináveis e mais algumas. Em primeiro lugar, não existem editoras(profissionais) entre nós. Em segundo lugar, os concursos literários são poucos. Finalmente, não existem leitores. Sem leitor, não há literatura. Curiosamente, a Constituição do Piauí estabelece que o ensino da literatura piauiense é obrigatória nas escolas públicas e privadas do Estado.

Como surgiu a oportunidade de apresentar um programa de televisão?
A ideia foi do Jesus Filho, diretor da TV Cidade Verde. Ele insistiu tanto que resolvi arriscar. Conheço as minhas limitações, não sou do ramo, não disponho de recuros financeiros nem técnicos para fazer um grande programa. Faço algo quase artesanal, mas, a despeito disso, o programa é diferente e tem alguma repercussão. Faremos até quando for possível.

Como autor, apresentador e advogado, você já pensou em escrever uma autobiografia?
Quintana afirmava, com propriedade, que qualquer confissão não transfigurada pela arte é uma canalhice. Concordo. Como ser isento falando de você mesmo? Ou você exagera para mais ou para menos. Machado, espertíssimo, matou o Brás Cubas para que ele pudesse escrever suas memórias com isenção. Além disso, minha vida nada tem de extraordinário. Sou um cidadão comum. Nunca pensei em memórias.

Você tem alguma obra que foi ou é muito importante na sua vida?
Há obras que nos marcam para sempre. Sem esforço algum, posso citar, no meu caso: "O Estrangeiro", "O velho e o mar", "Infância", "Ninguém escreve ao coronel", "Memórias póstumas de Brás Cubas".

Quais foram as maiores dificuldades em conciliar as atividades de advogado e de escritor?
Nunca fui advogado. Sou apenas graduado em Direito. Minha praia é a sala de aula. Sempre quis ser professor. Quanto a escritor, sou, quando muito, um modesto aprendiz. Faltam-me, para tanto, talento e disciplina.

Qual foi seu maior objetivo ao fundar a Oficina da Palavra?
A Oficina da Palavra nasceu como um simples curso de português. Os amigos, os artistas, os intelectuais piauienses é que fizeram-na um espaço cultural. Aqui, eles mandam. Sou uma espécie de "zelador". Aqui, diarimanete, encontro meus amigos, converso, brinco, me sinto feliz. É a minha "igreja".

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