segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"Sei que o mundo não teria muito significado para mim se não houvesse música"


7ª pergunta para ALFREDO WERNEY

Colégio São Francisco de Sales – Diocesano
Prof Adriano Lobão Aragão

Alunos – 7ª série B/2009
Marcelo Vitor
Manoel da Cruz
Rayanne Silva
Wilka Maria


Alfredo Werney Lima é arte-educador, músico e pesquisador. Professor de violão da Escola de Música de Teresina. Instrutor e integrante da Orquestra de Violões de Teresina. Formando em Educação artística pela UFPI. É autor do livro "Reencantamento do mundo: notas sobre cinema". Edita o blog Staccato.



Como é possível utilizar dois fenômenos artísticos diferentes: música e literatura?
As artes surgiram unidas em uma mesma expressão, assim acreditam alguns pesquisadores da cultura. No fundo, acredito que as artes são mais parecidas umas com as outras do que imaginamos. Elas possuem uma estruturação interna muito parecida. Dessa maneira, sempre me interessei pela relação entre diferentes linguagens artísticas, em especial: cinema / música e literatura / música. Dessa forma, é possível, e mesmo relevante, utilizarmos fenômenos artísticos diferentes em nossas abordagens, pesquisas, textos etc. Uma arte ajuda-nos a compreender a outra.

Quais são os seus projetos para o futuro?
Projetos são muitos. Especificamente na área de música, o meu projeto futuro PE ingressar na pós-graduação. Pretendo seguir a carreira acadêmica, fazer mestrado e doutorado. Além disso, tenho projetos mais ambiciosos (que exigirão muitos anos de trabalho): tocar a obra completa para violão de Villa-Lobos, ler toda poesia de Baudelaire em francês, conhecer Paris, etc.

Como músico, qual seria o verdadeiro motivo da música para você?
Não fui eu que escolhi a música, mas foi a música que me escolheu. Desde criança não sabia brincar de outra coisa. Tudo que eu fazia estava relacionado com música. A música para mim não é apenas diversão, lazer, prazer, profissão. É uma relação mais profunda, nem mesmo sei explicar. Sei que o mundo não teria muito significado para mim se não houvesse música.

O que vocês quis transmitir para as pessoas com o livro “Reencantamento do Mundo”?
Há muitas coisas que queremos transmitir quando escrevemos um livro de análise de obras artísticas. Mas, ao fazer o livro, não pensei em nada específico a ser transmitido. O livro trata-se de uma compilação de textos que eu e meu irmão, o professor Wanderson Lima, resolvemos publicar. Percebo que há no livro a idéia recorrente de que um filme é uma obra de arte que deve ser analisada em seus aspectos formais e não como um mero pretexto para se discutir outros assuntos.

Quais seus autores preferidos da literatura piauiense?
Devo dizer que a idéia de “literatura piauiense” não me agrada muito. Sempre penso em Literatura como algo universal e não apenas como uma produção local desvinculada do todo. Assim, gosto de um autor pelo que ele escreveu, e não porque nasceu no Piauí. Mas, levando em conta que literatura piauiense é aquela produzida por autores nascidos no Estado do Piauí, as produções que mais me agradam estão na poesia. São eles: H. Dobal e Da Costa e Silva. Admiro também outros escritores: Assis Brasil, Ávaro Pacheco, Mário Faustino e O.G. Rego de Carvalho.

O que você sugere para as crianças que pretendem ingressar na carreira de músico?
Sugiro que estudem bastante e não encarem a música como uma simples atividade lúdica e relaxante. Com isso, não pretendo afirmar que a música não deva promover a recreação, a alegria e o bem-estar psíquico. Quero afirmar que a música (para aqueles que desejam se profissionalizar) é uma arte complexa, que exige pesquisa, estudo, treino e dedicação. É uma profissão como qualquer outra.

No que você se inspira para produzir sua música?
Certa vez perguntaram para o escritor Ignácio de Loyola Brandão em que ele se inspirava para escrever. Ele disse: “Minha inspiração é o prazo”. Eu vejo as coisas também por esse lado. Se alguém me contrata para compor a música de um filme, por exemplo, eu devo entregá-la no prazo determinado, independente da inspiração. O artista não pode parar um projeto, em um mundo veloz como é o de hoje, por falta de inspiração. Se você tem um prazo, deve cumpri-lo. Por outro lado (e de maneira paradoxal), não acredito também que a arte é só transpiração. É mentira! Há dias em que realmente as coisas não fluem. Comenta-se que Fernando Pessoa escreveu o famoso “Guardador de Rebanhos”, do seu heterônimo Alberto Caeiro, praticamente de um só fôlego. Isso sim é inspiração, não é tão-somente labor artístico.

2 comentários:

Vanessa disse...

A Desenredos foi citada em 'dicas de site', na coluna De Boa, do jornal O Dia, na edição deste sábado, 17 de outubro. =)

Adriano Lobão Aragão disse...

Toda divulgação é bem-vinda.