Nome próprio: Leandra Leal
Nome Próprio [Brasil, 2007], de Murilo Salles, é mais um exemplo de certo sintoma recorrente em diversas produções recentes da cinematografia brasileira; o “filme de ator”. São essas produções que, ancoradas no eficiente trabalho de um determinado ator, relevam todos os outros aspectos a um segundo plano, não tendo muito mais o que oferecer ao público quando concluída a película. De “Se eu fosse você” (leia-se “Tony Ramos e Glória Pires”) a “Divã” (leia-se “Lílian Cabral”), os exemplos são muitos, inclusive no circuito independente. Em outras palavras, o verdadeiro “nome próprio” desse filme chama-se Leandra Leal, em uma soberba atuação onde direção, roteiro, fotografia, montagem, coadjuvantes (com raríssima exceção) não cumprem função nem relevante nem eficiente, apenas servem para a atriz desenvolver seu talento de forma ousada e marcante. Mas sem um roteiro que justifique tamanha entrega de uma atriz, até a personagem de Leandra, a junkie egocêntrica Camila, também se apresenta irrelevante. É só mais um folhetim de garota underground sonhando desenvolver seu suposto talento e buscando seu lugar no mundo, em meio à sexo, álcool e o que mais aparecer. Enfim, roteiro convencional, personagens mal construídos, direção fraca, produção modesta e uma atuação magnífica que extrapola os frágeis limites da película.
Comentários
Essa é uma questão típica de manifestações artísticas muito coletivas. E bastante complexa, que (creio eu) pode ser avaliada de diversas formas.