segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Nome próprio




Nome próprio: Leandra Leal

Nome Próprio [Brasil, 2007], de Murilo Salles, é mais um exemplo de certo sintoma recorrente em diversas produções recentes da cinematografia brasileira; o “filme de ator”. São essas produções que, ancoradas no eficiente trabalho de um determinado ator, relevam todos os outros aspectos a um segundo plano, não tendo muito mais o que oferecer ao público quando concluída a película. De “Se eu fosse você” (leia-se “Tony Ramos e Glória Pires”) a “Divã” (leia-se “Lílian Cabral”), os exemplos são muitos, inclusive no circuito independente. Em outras palavras, o verdadeiro “nome próprio” desse filme chama-se Leandra Leal, em uma soberba atuação onde direção, roteiro, fotografia, montagem, coadjuvantes (com raríssima exceção) não cumprem função nem relevante nem eficiente, apenas servem para a atriz desenvolver seu talento de forma ousada e marcante. Mas sem um roteiro que justifique tamanha entrega de uma atriz, até a personagem de Leandra, a junkie egocêntrica Camila, também se apresenta irrelevante. É só mais um folhetim de garota underground sonhando desenvolver seu suposto talento e buscando seu lugar no mundo, em meio à sexo, álcool e o que mais aparecer. Enfim, roteiro convencional, personagens mal construídos, direção fraca, produção modesta e uma atuação magnífica que extrapola os frágeis limites da película.

2 comentários:

Sebastião Edson Macedo disse...

gosto do espanto que me dá ler o contraste entre a atuação da atriz principal e o conjunto da obra (sic), eleito por vc, contraste, como única relevância para o seu post. gosto e acato seu contraste, embora não saiba precisar se concordo com o fato de o excesso da atuação, destacado por vc, tenha um mérito próprio quando está, de pronto, fora de lugar, ou seja, o que é o mérito se ele não está numa relação ética com aquilo do que de destaca? acho mesmo que a lógica de um "filme de ator", como vc refere, é a ausência de ética cinematográfica entre um todo e sua parte.

Adriano Lobão Aragão disse...

Ok. Mas como o ator, ou no caso a atriz, não tem como sobrepor-se ao diretor, enquanto artífice da obra, o trabalho dela apresenta muitos méritos, mesmo destoante do restante da película.

Essa é uma questão típica de manifestações artísticas muito coletivas. E bastante complexa, que (creio eu) pode ser avaliada de diversas formas.