quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

6 poemas de Adriano Lobão Aragão [02]

- Publicados em amálgama #6, março de 2008


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Adriano Lobão Aragão nasceu em Teresina, 1977.
É poeta e professor, autor de Uns Poemas (FCMC, 1999),
Entrega a Própria Lança na Rude Batalha em que Morra (Fundac, 2005)
e Yone de Safo (amálgama, 2007).




- Os poemas a seguir foram extraídos de Joana, que bebe os ventos, primeira parte de Entrega a Própria Lança na Rude Batalha em que Morra.



[06]

nas calçadas alinhados os fícus
disciplina militar uniforme
não de seu verde mas de sentinelas
assim alinhadas pelas calçadas
a sol e chuva segue sua vigília

agora sendo vigília velório
diferente dos que seguem ao enterro
mas estas sentinelas permanecem
em seus rígidos postos espartanos
o próprio enterro os pés antecipando


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[07]

nem úmido nem líquido falar
quando ao banho de passarinho olhamos
se de areia se faz sua água e seu molhar
mas ainda assim se seca em seco banho

nem úmido nem líquido falamos
quando ao banho de passarinho olhar
se de areia faz a água de seu banho
mas ainda em seco seca o seu molhar


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[09]

senhora teu promontório se alteia sempre perene
por estes terrenos tende rude tarde de velório
tempo preso no relógio pelos séculos se estende

pela terra em tua frente estas mulheres a juntar
toda lenha que encontrar a força servil desta gente
que a todo custo empreende a manutenção neste altar

senhora estendido o altar além do alto promontório
encravado em pedra e ócio de mil mulheres sem lar
nos terrenos juntar para todo santuário o óleo

como sina e ofertório estando apenas aqui sentada
oferecendo aziaga aos amigos hinos e chá

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