quarta-feira, 30 de novembro de 2011

dEsEnrEdoS 12 - Chamada para publicação


A dEsEnrEdoS (ISSN 2175-3903, Qualis B) é uma revista eletrônica de periodicidade trimestral que tem o propósito de estimular a criação artística e promover o debate de temas vinculados à literatura, língua, arte e cultura. Estamos recebendo textos - artigo, ensaio, resenha, poesia, conto, crônica e tradução - para avaliação até o dia 20 de dezembro de 2011.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Campina Grande, anoitecer


[adriano lobão aragão]



no açude
angustiado palhaço
busca suicídio sem metáforas

um esquecido Pedro
nomeia um ginásio
ou apenas evoca o nome de meu pai

aos pares
alguns guardam pequenos
lotes de esperança
para não enfrentar
a noite sozinhos

certos pombos
buscando abrigo noturno
repetem os vôos curvos
que a Borborema ensina


[in Yone de Safo]

sábado, 26 de novembro de 2011

Flores Fúnebres e outros contos cruéis - Villiers de L’Isle-Adam

Villiers de L'Isle-Adam, Flores Fúnebres e outros contos cruéis. São Pedro de Alcântara, SC: Edições Nephelibata, 2009.

 

Se desejar adquirir o livro:

 

 


Notas para quem desconhece

Villiers de L’Isle-Adam


*
Eu não me aventuraria a dizer que o conto cruel se constitui em um subgênero do conto, mas se for, forçoso será reconhecer o Conde Auguste Villiers de L’Isle-Adam (1838-1889) como o grande mestre desta forma narrativa. Antes dele, para não citar Sade e permanecer no século XIX, Prosper Mérimée (1803-1870) escrevera Mateo Falcone, sem dúvida um dos contos mais cruéis da literatura universal, por seu peso de relativismo moral. Também Edgar Allan Poe (1809-1849) já havia escrito, entre outros, O barril de Amontillado. Entre seus contemporâneos, Leon Bloy (1846-1917) e Guy de Maupassant (1850-1893) são os que mais se lhe aproximam no que tange a crueldade. Bloy, no entanto, resvala freqüentemente para o humor negro, dada sua insistência no macabro, enquanto Maupassant, parece-me, amplia-se para outros horizontes não estritamente cruéis, mesmo que muitas vezes imorais. De modo que, no século XIX, nenhum desses contistas foram tão insistentes e constantes na crueldade, sob suas diversas formas, como foi Villiers de L’Isle-Adam.
Os contos aqui selecionados dão uma mostra da diversidade da crueldade em Villiers. Não vou dissecar os contos, nem indicar onde se encontra seu caráter cruel, pois creio que isso pode ameaçar o prazer da leitura; limito-me, no entanto, a indicar que três contos desta seleção fogem às características do cruel: em É de se confundir!, Lembranças ocultas e A incompreendida. Isso para o leitor não pensar que a escrita de Villiers se reduz a estampar formas de crueldade; digamos que isso nele é apenas uma forte característica. Há muitas outras: a filosófica, a poética, a política, etc. O que é relevante afirmar, repito, é que nenhum outro contista escreveu tantos contos cruéis como ele. Daí ser um título muito bem acertado o de Contes cruels para sua primeira reunião de contos, publicada em fevereiro de 1883. Além disso, Villiers escreveu poesias, teatro e romances, além de uma infinidade de outros textos diversos, onde a crueldade e o sarcasmo também estão presentes, mas não em tão alto relevo como em seus contos.
*
É curioso encontrar Villiers de L’Isle-Adam em diversas coletâneas de contos fantásticos — pois que ele também criou obras primas desse gênero — em que o conto que o representa nem sempre é fantástico. O caso exemplar é o de A tortura pela esperança de Nouveaux contes cruels, de 1888. Jorge Luis Borges, que adorava esse conto, o incluiu na famosa Antología de la literatura fantástica organizada por ele, Silvina Ocampo e Bioy Casares. Italo Calvino, depois de dizer que: “A tortura com a esperança é um dos exemplos mais perfeitos de fantástico puramente mental”, afirma que somente não o incluiu na sua antologia “para não repetir escolhas alheias”. E, no entanto, não penso que A tortura pela esperança seja um bom exemplo de conto fantástico. — Os melhores exemplos de contos fantásticos em Villiers, sem dúvida, são Véra e O intersigno. De seus romances: A Eva Futura e Claire Lenoir (de Tribulat Bonhomet).
A tortura pela esperança, que é um dos contos mais cruéis de Villiers, e, talvez, de toda a literatura, “contudo”, escreveu H. P. Lovecraft com muita razão, “não tanto pertence à tradição fantástica como forma uma categoria especial — o chamado conto cruel, em que o esporear das emoções é provocado por dramáticas tantalizações, frustrações e tormentos físicos atrozes”. Mas deixo por conta do leitor decidir se esse conto pertence ao fantástico ou não — se é Borges e Calvino quem estão certos, ou se Lovecraft e este humilde tradutor que vos escreve.
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Como todos os franceses, e meio mundo mais, foi através de Charles Baudelaire (1821-1867) que Villiers de L’Isle-Adam conheceu a obra de Edgar Allan Poe. Villiers tinha cerca de vinte e três anos, em 1861, em Paris, quando conhece Baudelaire e logo em seguida, na casa desse, Richard Wagner (1813-1883). Ambos os “velhos” ficaram encantados com a genialidade do jovem.
Em 1866 Villiers, também caído na graças de Theophile Gautier (1811-1872), quase que se torna seu genro, pois foi noivo por um ano da filha mais jovem de Gautier, Estelle Gautier, devido a amizade que tinha com a filha mais velha, Judith Gautier.
Além de Baudelaire, Gautier e Wagner, constam entre seus amigos, e esses mais íntimos do que àqueles: Stephen Mallarmé, (1842-1898) Joris-Karls Huysmans (1848-1907) e Leon Bloy, entre outros.
E, fato relevante, todos esses são inimigos da realidade diária, da vida comum, dos burgueses. Todos eles arautos do Sonho. Daí ser Villiers ao mesmo tempo um escritor de literatura fantástica, uma referência da prosa simbolista — na qual a obra Axël é o cume — e, ao lado de Maupassant, retratista de sua época devido a sua perspicácia na observação e pintura da vida, e do modo de vida, do homem burguês — que se assemelha muito, não sejamos ingênuos, com os homens que ainda hoje encontramos pelas ruas...
*
Jean-Marie-Mathias-Philippe-Auguste, Conde de Villiers de L’Isle-Adam, nasceu em Saint-Brieuc, na Bretanha. Desde cedo demonstrou gosto pelas artes, principalmente pela música e pela literatura. Na adolescência habituou-se a dormir de dia e viver a noite; tornou-se então, quando foi para Paris, por volta de 1860, conhecidíssimo boêmio. Mesmo sendo descendente de uma antiga família de nobres, tendo ancestrais ilustres que figuram na história política da França, ele não herdou nada. Seu pai, Joseph-Toussaint-Charles Villiers de L’Isle-Adam, dissipou o que restara das riquezas da família em expedições, em busca de tesouros que nunca encontrou. Auguste viveu na pobreza, inclusive nas ruas, e se subordinou aos mais diversos trabalhos. Mesmo depois de publicar Contes cruels, seu livro mais popular, ele ainda recorria a outros expedientes, como por exemplo, ser “monitor em sala de boxe inglês”, onde recebia 60 francos por mês e “cerca de duas dezenas de socos no rosto a cada semana para alimentar seu filho”.
Auguste Villiers de L’Isle-Adam morreu de câncer no estômago, no leito de um hospital, tendo ao seu lado Huysmans, Mallarmé e Marie Dantine, uma serviçal analfabeta com a qual vivia há dez anos e para a qual deixou o título de Condessa em um casamento in extremis — e o filho, Victor de Villiers de L’Isle-Adam, que morreu miserável, tuberculoso, em 1901, com apenas 20 anos de idade.
*
As frases longas, com excesso de travessões e vírgulas, são propriedades do autor que, ao contrário de outros tradutores, eu procurei preservar. Quanto ao vocábulo raro, nada que um velho Aurélio não resolva.

Camilo Prado, junho de 2009.

 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

(n.t.) Revista Literária em Tradução





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(n.t.) | 4° - Chamada para colaboração
ISSN 2177-5141


(n.t.) é uma revista virtual de periodicidade semestral destinada à publicação de textos literários traduzidos curtos, em formato de seleções, de ou para o português. Publicamos seleções de textos inéditos ou retraduzidos em poesia e prosa poética, além de ensaios literários, crônicas e contos. Para maiores detalhes, confira as normas para publicação no site da revista e as edições anteriores disponíveis online e em pdf.


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Chamada para colaboração:
(n.t.) Revista Literária em Tradução n° 4 (março/2012)
Normas para publicação em: www.notadotradutor.com/publicar

Recepção de textos: até 15/01/2012


Confira as edições anteriores:
          
(n.t.) | Revista Literária em Tradução
(n.t.) | Suplemento de Arte
(n.t.) | Mural de notas

domingo, 20 de novembro de 2011

ave eva


Caros amigos, realizei algumas breves alterações em meu livro ave eva. O novo arquivo já está disponível para download no site www.adrianolobao.com.br

inté

sábado, 19 de novembro de 2011

Tom Zé e a polissemiótica microtonal do metarrefrão


O genial Tom Zé explica para Jô Soares a dimensão "polissemiótica e microtonal" do "metarrefrão" "Tô ficando atoladinha".

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

encontros insólitos

David Bowie, Iggy Pop & Lou Reed

Pelé & Sylvester Stallone

Charles Chaplin & Albert Einstein

Woody Allen & Michael Jackson

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Alencar, O Sertanejo e sua época





Publicado em 1875, O Sertanejo não consta como obra fundamental de José de Alencar, sendo por diversas vezes tido como um de seus romances menos expressivos, sobretudo se observarmos que Senhora, uma de suas obras antológicas, foi publicado no mesmo ano e, provavelmente, tenha recebido do autor um apuro literário muito maior, característica bastante relevante se, ao cotejar as duas obras, observássemos a arquitetura coesa e equilibrada da trama de Senhora em contraposição ao ritmo descompassado e, por vezes, deveras artificioso na condução narrativa de O Sertanejo.

Além das duas obras, o ano de 1875 também testemunhou a publicação de A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, e, em Portugal, que já conhecera o Realismo através da Questão Coimbrã há cerca de dez anos, Eça de Queirós levou a público seu polêmico romance O Crime do Padre Amaro. Era evidente que o colapso do Romantismo já estava em plena vigência e, após O Sertanejo, apenas os romances O Cabeleira, de Franklin Távora (que segue o filão regionalista), Helena, de Machado de Assis, (ambos de 1876) e Iaiá Garcia, também de Machado de Assis (1878) são tidas com um mínimo de consenso como romances românticos que apresentam alguma relevância, sendo que todos revelam-se como obras híbridas, entre a idealização marcante da estética anterior e uma preocupação crítica e social que só iria se resolver com o advento do Realismo e do Naturalismo. O fato de Senhora e O Sertanejo constituírem as duas últimas obras que José de Alencar tenha publicado em vida torna o colapso romântico ainda mais marcante, pois corresponde ao ocaso de um dos autores fundamentais para a estética em questão.

Se, após a independência política do Brasil, o Romantismo utilizou a figura do indígena como elemento de distinção entre Brasil e Portugal, o regionalismo de José de Alencar pode ser visto como um desdobramento desse elemento de distinção, uma vez que seus personagens cumprem funções simbólicas semelhantes ao papel destinado pelo autor a Peri, Ubirajara e Iracema, protagonistas de seus romances indianistas, calcados em lendas e mitos, quase sempre de origem do país, e, em seus heróis regionalistas, encontramos a sedimentação de um tipo distinto dos citadinos europeus que constituíam-se como a visão mais recorrente da vida européia, transplantada para algumas cidades brasileiras, notadamente o Rio de Janeiro (palco da maioria dos romances urbanos) em franca oposição a um modo de vida rude e fortemente vinculado ao solo em que vive, assim como impregnado pelas lendas que os vastos campos pouco habitados costumam engendrar. Parecia ser, acima de tudo, uma busca por alguma essência do ser brasileiro escondida nos sertões.

Alencar nasceu em Mecejana, no Ceará, no dia 1º de maio de 1829. A partir de 1857, com a publicação dos folhetins de O Guarani, torna-se um dos mais importantes romancistas brasileiros. Escrevendo para um público leitor que paulatinamente formava-se no país, é importante lembrar que o Romantismo brasileiro não foi, em sua gênese, necessariamente, porta-voz da expressão de uma sociedade burguesa, como ocorria na Europa, posto que a elite política e econômica brasileira da época, a quem dispunha de tempo e recursos para ler e influenciar a produção artístico-cultural em questão, era predominantemente composta por exportadores de produtos agrícolas, e seus familiares, que, buscando ampliar sua influência nas decisões governistas, estabeleciam-se nos centros urbanos. A distância entre essa classe rural dominante e o ambiente citadino dos grandes centros era, no século XIX, bem menor que comumente se costuma supor. Entretanto, a coexistência com transformações e incipientes dinamismos urbanos apresentava-se como um processo inevitável a cada novo ano, como as assinaladas em 1880 por Joaquim Manuel de Macedo em Memórias da Rua do Ouvidor. Note-se também que, no ano seguinte, 1881, neste mesmo Rio de Janeiro, Machado de Assis publicaria a obra inaugural do Realismo no Brasil, Memórias Póstumas de Brás Cubas, que já circulava em folhetim desde 1880.

Tais transformações não interessaram ao Alencar de O Sertanejo. Seu posicionamento em relação à antítese entre campo e cidade, entre a “virtude primitiva” contraposta ao ímpeto civilizatório, é inequívoca, pois em sua obra regionalista, tão afeita ao mito do “bom selvagem” e da natureza hospitaleira, o elemento rural telúrico seria visto com a afeição de um paraíso terrestre onde, “sob expressões do poder criador”, o homem, o autor e suas criaturas engendram a fábula de suas raízes.




[Publicado no jornal Diário do Povo, coluna Toda Palavra, Teresina, 16 de novembro de 2011]