domingo, 31 de janeiro de 2010

Who watches the watchmen?



Watchmen

Alan Moore e Dave Gibbons
[Edição definitiva, Ed. Panini]

Como seria um mundo em que pessoas se fantasiassem para lutar contra o crime? Como seria esse mundo se surgisse então um herói com super-poderes? E qual o preço que um herói deve pagar para impedir o fim do mundo? A partir de heróis da antiga editora Charlton, Alan Moore desenvolveu um mundo absolutamente fascinante, e um novo paradigma para as histórias em quadrinhos. O que outrora havia sido o Capitão Átomo tornou-se, na HQ de Moore, o Dr. Manhattam, assim como o Questão e o Besouro Azul atendem por Roscharch e Coruja, e a realidade onde permeiam esses e outros mascarados tornou-se incrivelmente complexa e instigante. Uma verdadeira obra-prima, realçada pelo traço preciso do desenhista Dave Gibbons.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Limites da representação


Guernica
, Pablo Picasso



Limites da representação
[por Wanderson Lima]

Alcançável, próximo e não-perdido permaneceu em meio das perdas este único: a língua. Ela, a língua, permaneceu não-perdida, sim, apesar de tudo. Mas ela teve que atrevassar suas próprias ausências de respostas, atravessar um emudecer, atravessar os milhares de terrores e o discurso que traz a morte”(Paul Celan)



Acabo de ver na rede um poema sobre a tragédia do Haiti. Chama-se, cacofonicamente (embora, neste ponto, haja outras denominação, tais como rima interna ou assonância), “Ai de Ti, Haiti”. Está longe de mim duvidar do senso humanista e humanitário do seu autor, mas, pensando em certas teses de Benjamin, Wittgenstein e Costa Lima, me pergunto: não há um limite para a representação? Até que ponto o horror pode ser transfigurado? Não se trata aqui de concordar com a divisa romântica, tão bem criticada por Mikhail Bakhtin, segundo a qual há uma incompatibilidade entre nossa riqueza interior e a parca capacidade da linguagem de representar as nuanças desse mundo subjetivo. É algo mais fundo: falo dos limites da dor nas grandes tragédias, falo da nossa experiência do horror vacui. Quando falo disso, lembro de dois casos extremos: horror metafísico representado em Samuel Beckett e o horror da shoah representado em Paul Celan. Tudo bem, duas experiências, podemos dizer, bem sucedidas. Mas alguém é capaz de medir as conseqüências desse gesto na vida pessoal de cada um deles? Não dá para representar a experiência do horror sem um empenho ético-existencial e uma aguda consciência estética. Sei que nestas linhas sequer levanto o véu que cobre um tema de dimensões tão complexas, e que hoje no Brasil tem em Marcio Seligmann-Silva (1 e 2) um estudioso erudito e seguro, mas creio que não seja equívoco inferir que, se não há má-fé, há ao menos ingenuidade em se representar poeticamente um horror como o que decorreu no Haiti sem se pôr em questionamento os limites da representação, o papel social e testemunhal da arte e o lugar que ocupa aquele que representa. Susan Sontag, remetendo-se à fotografia, revela um traço assaz ambivalente que marca a representação da dor do outro: “Cuanto más remoto o exótico el lugar, tanto más expuestos estamos a ver frontal y plenamente a los muertos y moribundos. Así, el África poscolonial está presente en la conciencia pública general del mundo rico —además de su música cachonda— sobre todo como una sucesión de inolvidables fotografías de víctimas de ojos grandes: desde las figuras hambrientas en los campos de Biafra a finales de los sesenta, hasta los supervivientes del genocidio de casi un millón de tutsis ruandeses en 1994 y, unos años después, los niños y adultos con las extremidades cercenadas durante el programa de terror masivo conducido por las RUF, las fuerzas rebeldes de Sierra Leona. (...) Estas escenas portan un mensaje doble. Muestran un sufrimiento injusto, que mueve a la indignación y que debería ser remediado. Y confirman que cosas como ésas ocurren en aquel lugar. La ubicuidad de aquellas fotografías, y de aquellos horrores, no puede sino dar pábulo a la creencia de que la tragedia es inevitable en las regiones ignorantes o atrasadas del mundo; es decir, pobres.” (In: Ante el dolor de los demás, 2003). Definitivamente, ai de ti, Haiti!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Manuel Bandeira & Paulinho Moska



A onda
[Manuel Bandeira]

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

[Estrela da tarde, 1963]


- * * * -




Onde anda a onda
[Paulinho Moska]

Pra onde essa onda vai?
De onde essa onda vem?
Eu não sei o que ela me traz
Mas o meu desejo é que me leve também

Há ondas que nascem no horizonte
Logo ali defronte de quem olha pro mar
Há ondas que vêm do alto-falante
Um prato cheio de ruídos pro ouvido mastigar

Aquela onda se perdeu no infinito
Que jeito bonito que ela tem de se expressar!
Toda onda tem aquilo que acredito
Mundo invisível que dá pra experimentar
Toda onda é um espírito esquisito
Quase impossível não se deixar levar

Pra onde essa onda vai?
De onde essa onda vem?
Eu não sei o que ela me traz
Mas o meu desejo é que me leve também

A minha vida se propaga lentamente
Lente de aumento em cada micro-olhar
Todo átomo que se movimente
Necessita que uma onda o convide pra dançar

Por isso quando eu não estiver mais na tua frente
Quando eu não for mais gente e não puder mais te falar
Mesmo que a onda não seja mais redonda
Mesmo que ela pare de ondular
Mesmo que então pareça que eu me esconda
Onde quer que ande a onda estarei também por lá.

Pra onde essa onda vai?
De onde essa onda vem?
Eu não sei o que ela me traz
Mas o meu desejo é que me leve também

[cd Móbile, 1999]

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sobre tributos e atributos, não vendo neles retorno algum

[renato zagrel]


Guarda-se em bolsa rasgada
suor e sangue de um povo,
não se sabe muito ou pouco
perdendo assim que se guarda,
buraco que não acaba.
Vendendo sem dar o troco
nem mesmo a mercadoria,
nunca esquece de cobrar
fica o bolso ao Deus-dará
e o povo sem melhoria.


abril 2008

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Led Zeppelin



Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra
[por Adriano Lobão Aragão]


Em entrevista concedida em 1973, Robert Plant, vocalista do Led Zeppelin, declarava que: “estava na hora de as pessoas ouvirem outras coisas a nosso respeito, e que não comíamos as mulheres e atirávamos os ossos pelas janelas”. (p. 330) Em suas 527 páginas, a biografia Led Zeppelin – Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra (Larousse, 2009, tradução de Elvira Serapicos), escrita por Mick Wall, pretendeu trazer à tona muitas “outras coisas” a respeito da banda; mas em se tratando do Led Zeppelin, seria impossível não permear o extremo hedonismo em que viviam fora dos palcos, a despeito do comentário de Plant. Mas para quem imaginar que o livro de Wall limita-se a uma série de episódios insólitos vividos por uma banda de rock que chegou ao limite de fama e dinheiro, é preciso acrescentar que o autor conseguiu ir além, compondo um retrato bastante franco de seus protagonistas, sua contribuição para a história do rock and roll e da cultura de massa do século XX, seu profundo impacto e influência na indústria do entretenimento, e as costumeiras polêmicas de plágio e ocultismo que acompanharam a trajetória da banda do guitarrista Jimmy Page.

As estripulias do Led Zeppelin nas turnês revelam-se as mesmas que diversas outras bandas promoveram, ainda que permeadas pelo exagero que sempre os caracterizou, como o grotesco episódio ocorrido na terceira turnê americana, em 1969, no hotel Edgewater Inn, em Seattle, quando uma groupie de 17 anos disse que gostava de ser amarrada e terminou com o nariz comprido de um peixe vermelho introduzido na vagina e a cabeça de um mud shark em seu ânus. O episódio transformou-se na canção “The Mud Shark”, que Frank Zappa lançou em seu álbum ao vivo de 1971, Fillmore East. Como diria o baixista John Paul Jones, “a turnê transforma você em uma pessoa diferente. Percebo isso quando volto para casa. Levo semanas para me recuperar depois de passar tanto tempo vivendo como um animal.” (p. 170) É conveniente lembrar que Jones é, incontestavelmente, o mais tranquilo e discreto membro do Led, e no auge da popularidade e hedonismo do Zeppelin, cogitou seriamente a possibilidade de deixar a banda, incomodado com o exagerado ritmo de trabalho e confusões. Curiosamente, parece que o baixista foi o único a escapar da série de tragédias que acompanhou a banda em seus últimos momentos, como se estivessem vivenciando uma maldição, o outro lado de sua meteórica ascensão.

O perfil pessoal da banda já poderia ser visto em seus primeiros dias, quando a jornalista Ellen Sander, da revista Life, acompanhou parte da segunda turnê americana, ainda em 1969 (embora preferisse estar com o The Who, banda bem mais famosa na época, também em turnê nos Estados Unidos naquele mesmo momento). “Page era ‘etéreo, efeminado, pálido e frágil’. Plant era ‘bonito de uma forma agressivamente obscena’. Bonzo ‘tocava bateria com fúria, quase sempre sem camisa e suado, como um gorila enfurecido’. Jones era o que ‘unia as coisas e ficava nas sombras’.”(p. 174) Ao final da turnê, vítima de uma agressão que poderia ter ser transformado em estupro, promovida pelo baterista John ‘Bonzo’ Bonham e alguns roadies, a jornalista foi salva pelo empresário Peter Grant e a matéria para a revista Life jamais seria publicada. No início de carreira, seria essa mais uma das diversas oportunidades de publicidade em larga escala perdida pela banda. Posteriormente, Ellen Sander escreveria sobre o incidente em seu livro, Trips: “Se você entra nas jaulas do zoológico, consegue ver os animais bem de perto, passar a mão no pelo e sentir a energia por trás da mística. Também sente o cheiro de merda bem de perto”. (p.175) Era 1969 e, ao longo da década seguinte, com o crescente sucesso e fortuna do Led Zeppelin, os excessos apenas aumentariam. E em relação a John, acrescente-se que “o baterista parecia ter dois lados: Bonham, o homem de família amoroso, generoso, que detestava estar longe de casa; e Bonzo, o bêbado, maluco e drogado que descarregava suas frustrações em quem estivesse na sua frente no momento. Uma espécie de Jekyll e Hyde, cuja personalidade se dividia mais depressa quando ele bebia.”(p. 340)

Entretanto, a relevância, tanto do livro quanto da banda, pode ser compreendida a partir de um depoimento de Mick Wall: “o Zeppelin ajudou a escrever o livro de regras do rock – o que você pode fazer: ser sempre colorido e inventivo, sempre ousando e usando seu talento elevado à máxima potência; e o que você não pode: as drogas não são uma ferramenta criativa, mas são uma força negativa de auto-destruição, por isso não se deve esperar até que seja tarde demais para perceber isso”.

O interesse de Jimmy pelo ocultismo revela-se um ingrediente essencial para a alquimia musical do Led Zeppelin. E neste ponto, o mergulho em forças ocultas do Led é muito mais orgânico e visceral que o trabalho de bandas como Black Sabbath e Iron Maiden, que vendiam uma imagem abertamente macabra, enquanto Jimmy imergia sua banda em elementos simbólicos da magia e do ocultismo, universos que, ao que parece, encara com ainda mais seriedade que sua própria música. Talvez, para ele, sejam até a mesma coisa; embora, no início dos anos 80, Jimmy estivesse mergulhado em heroína e consumido pela sua própria criação. O fato é que o misticismo do Led Zeppelin nunca foi teatral, mercadológico, mas ritualístico, e isso custou a eles diversas acusações de satanismo, incluindo a famosa controvérsia sobre tocar “Stairway to Heaven” ao contrário. Segundo Robert Plant, “você não encontra nada se tocar a música de trás para a frente. Eu sei, porque tentei. Não há nada lá... É tudo bobagem, essa coisa demônio, mas, quanto menos você dizia para as pessoas, mais elas especulavam”. (p.315) E segundo Page, “existe muita coisa subliminar ali. [Todos os álbuns] foram reunidos, há muita coisa deles – coisas pequenas que você não pega de primeira, às vezes até por muito tempo. Mas, quanto mais você presta atenção, mais você pega. E a ideia era mesmo essa, e isso é bom”. (p.313)

O voo do Led Zeppelin também se tornou essencial para diversas transformações nas relações empresariais do showbusiness, empreendidas sobretudo pelo seu obstinado e violento empresário, Peter Grant. Assim como o talento excepcional de Jimmy como músico e produtor, o carisma de Robert Plant, a agressividade de John Bonham e a eficiência discreta e exata de John Paul Jones, a presença de Grant garantiu ao Zeppelin as condições necessárias para que a ideia de Page em continuar um trabalho iniciado com os Yardbirds, então em processo de dissolução, pudesse ir muito além dos horizontes almejados.

Segundo Jimmy Page, cada álbum do Led Zeppelin deveria expressar o ponto em que estavam naquele momento. Assim, da urgência do primeiro disco e da ambientação folk de Led Zeppelin III ao depressivo Presence e o inconsistente In Through the out door, o livro de Mick Wall desvenda justamente as circunstâncias que definiram a musicalidade de cada faceta da banda, e torna-se mais interessante se a leitura for acompanhada pela audição dos respectivos discos.

Os plágios, releituras e apropriações indébitas, sua difícil relação com críticos e jornalistas (“Nada do que fazíamos agradava”, desabafa Page. p. 298), polêmicas que sempre acompanharam o Led Zeppelin também foram abordados por Wall, elucidando as fontes, honestas ou não, de diversos trabalhos, e como Jimmy Page recriava qualquer sonoridade que lhe consumisse a atenção, da canção de Jake Holmes, “Dazed and Confused”, que até hoje é indevidamente creditada a Page (e tida como um de seus principais hinos), a “When the Levee Breaks” (que embora fosse creditada originalmente como uma música de autoria do Led Zeppelin, tratava-se de uma releitura de uma antiga canção de ‘Memphis’ Minie e ‘Kansas’ Joe McCoy), com sua monumental bateria, um dos momentos mais grandiosos de John Bohnam, muito mais influente que em seu tradicional solo, “Moby Dick”. Definitivamente, a originalidade do Led não estava em suas composições, mas na intensidade com que as executavam; e justamente por isso, é este o seu principal legado.

domingo, 17 de janeiro de 2010

sábado, 16 de janeiro de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Emily Dickinson




Como traduzir a Poesia de uma mulher que, no século XVIII, viveu reclusa a vida inteira e desenvolveu uma linguagem personalíssima, subjetiva e repleta de referências ao seu mundo imediato? E que relevância teria a poesia dessa mulher, Emily Dickinson, para leitores de língua portuguesa no século XXI? Assim se define a Poesia essencial de Emily.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

as cinzas as palavras




o filme os cinemas
[adriano lobão aragão]

o que vi nesta sala de exibição jamais verei na seguinte sessão
no rex no royal no centro de convenção
o que vejo nesta sala a sua própria e escura exibição

o que aqui se projeta nestes olhos que aqui se encontram aqui estão
o que vi apenas não o que outros aqui agora verão
e o que somente a mim se mostra a cada projeção

e depois nem a mim novamente serão
as mesmas imagens repetidas em tantas cenas em tantas salas então
revelando a cada um uma outra nova atenção




[in as cinzas as palavras, 2009]

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

as cinzas as palavras




os filmes o cinema
[adriano lobão aragão]

estes os movimentos para cada persona em cena
sucessivos quadros alinhados em surda sequência
como película nos revela à retina incolor

estas sequências e gestos e lendas estas legendas
em lente enquadrada entre negras lacunas uma fala
ou breve alegoria inscrita para alegria e dor

em silêncio que se comunica a todos os sentidos
ainda que luz e sombra desprovida de som e cor



[in as cinzas as palavras, 2009]

sábado, 9 de janeiro de 2010

"Historiadores supremos do indivíduo" - por Paulo Francis

Os artistas são, entre outras coisas, os historiadores supremos do indivíduo. O desenvolvimento acelerado das ciências sociais no Século XIX, a partir de Marx (e contra ele, na maioria dos casos), nos permite, hoje, ver qualquer era da humanidade em termos de forças econômicas, políticas e culturais, mas se queremos enxergar a pessoa humana, fora do quadro de estatísticas e dos movimentos decisivos da História, Sófocles nos diz mais que qualquer tratado sobre helenismo em moda. E ficando em Sófocles, basta olhar o manjadérrimo Édipo. Sabemos, como espectadores, que o destino do protagonista foi predeterminado, mas Édipo pensa e age na “ilusão” de que é capaz de fazer o que quiser, ou o que for capaz. Em última análise, é uma ilusão mesmo. Nos tempos de Sófocles, os deuses determinavam nosso destino. Hoje, foram substituídos pela Bolsa de Nova York. Há quem chame isso de progresso.

(Paulo Francis.“Poeta”, in Pasquim nº177 de 21 a 27/11/1972)


[postagem de O Fazedor]

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

vilarejo (pergaminho do fogo)




No próximo domingo, dia 10, haverá o lançamento do novo livro de Flávia Muniz, vocalista da "Luisa mandou um beijo". O livro se chama "Vilarejo (pergaminho do fogo)" e será publicado pela editora Multifoco. Além da noite de autógrafos, haverá um pocket show de Flávia Muniz e Olho Mágico, seu projeto paralelo.

O lançamento e o pocket show acontecerão na editora Multifoco (R. Mem de Sá, 126, Lapa, Rio de Janeiro), no domingo, dia 10, a partir das 18h30. Entrada franca!

http://www.myspace.com/flaviamuniz

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

έπος






Se a leitura das epopéias clássicas se resumisse apenas a um exercício de paciência, ainda assim valeria a pena cada verso.





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sábado, 2 de janeiro de 2010

dEsEnrEdoS 4




dEsEnrEdoS

ano II - número quatro
janeiro fevereiro março 2010


editorial
Então, continuamos. Os desafios são os mesmos de sempre, e cada vez maiores, mas estarmos sendo lidos neste momento continua sendo nossa maior recompensa. Entretanto, gostaríamos de destacar uma leve mudança: a partir desta edição, dEsEnrEdoS passa ter periodicidade trimestral (exceto a seção bloco de notas, que será atualizada mensalmente). Não nos afligem a urgência e o imediatismo típicos da mídia contemporânea, e por isso lutamos contra os textos efêmeros, e precisamos de mais tempo para esse combate. É que esperamos que nossa voz tenha mais relevância que a próxima postagem do twitter (e mais caracteres também). E, enfim, desejamos imensamente que 2010 seja um ano atípico: repleto de bons poemas, boa prosa e pensamento crítico bem elaborado. E que a dEsEnrEdos não seja um oásis, mas apenas mais uma revista que prima em ir além do senso comum. Que nos mais diversos setores, inclusive na política, possamos realimentar esperanças, mesmo que para perdê-las em tão pouco tempo. E desejamos também que sejamos todos capazes de fazer essa diferença.


www.desenredos.com.br